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Muito palanque, pouca unidade: a derrota de André Moura dentro da própria base governista

A derrota de André Moura por apenas 22.106 votos obriga a olhar para dentro do próprio grupo governista. André recebeu 377.669 votos; Alessandro Vieira chegou a 399.775 e ficou com a segunda cadeira. Oficialmente, a chapa de Fábio Mitidieri tinha André e Rogério Carvalho para o Senado, e o governador participou de atos com André. Portanto, não houve abandono formal. A pergunta é outra: se André era um dos nomes oficiais, por que setores importantes da própria base de Fábio Mitidieri também trabalharam por Alessandro? No papel havia unidade. Na prática, havia projetos diferentes disputando as mesmas vagas.

Essa fragmentação aparece em lideranças relevantes. Em Lagarto, o grupo de Sérgio Reis e Fábio Reis apoiou Fábio para o governo, mas Rogério Carvalho e Alessandro para o Senado. Em Nossa Senhora do Socorro, Samuel Carvalho tinha compromisso com Alessandro, cuja primeira suplente era Adriana Carvalho. André, portanto, não disputava votos apenas contra adversários externos. Concorria também com candidatos apoiados por grupos que estavam dentro da coalizão de Fábio. Isso não demonstra sabotagem, mas revela que a base governista estava longe de marchar numa única direção.

Nem mesmo nos setores próximos à segurança pública o alinhamento foi absoluto. André teve agendas e apoios de lideranças da área, mas Katarina Feitoza, por exemplo, já havia colocado Alessandro como seu primeiro nome para o Senado e André como possível segunda escolha. A fotografia de um governo inteiro fechado com André não corresponde integralmente ao comportamento público de seus aliados. Para governador, havia convergência. Para o Senado, cada grupo parecia ter sua própria combinação.

Também é preciso separar apoio político de estrutura administrativa. Não há elementos públicos suficientes para afirmar que secretarias estaduais tenham atuado institucionalmente por Rogério ou Alessandro. O que aparece é algo politicamente relevante: dirigentes e lideranças vinculados ao governo fizeram escolhas diferentes. O caso de Érica Mitidieri também exige precisão, porque há registros de sua participação em atos de apoio a André. Portanto, a crítica não deve ser de ausência absoluta de apoio, mas de falta de unidade efetiva em toda a base.

No fim, a pergunta sobre Fábio Mitidieri é simples: houve comando político suficiente para alinhar sua coalizão em torno das escolhas oficiais para o Senado? Os fatos mostram que não houve exclusividade. Fábio estava com André e Rogério, enquanto partes importantes de sua base também estavam com Alessandro. Todos pareciam juntos para governador. Para senador, a unidade desaparecia.

E talvez seja justamente nessa fragmentação que esteja parte dos 22.106 votos que faltaram. Não há prova de que o governo tenha derrotado André. Mas é possível constatar que a força política que reelegeu Fábio não foi canalizada integralmente para ele. Numa eleição decidida por margem tão estreita, isso deixa de ser detalhe e passa a integrar necessariamente a explicação da derrota.

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