Linda Brasil pode receber votos suficientes para se reeleger e, ainda assim, não voltar à Assembleia Legislativa. Essa é a dimensão do problema que alcançou a deputada estadual e toda a Federação PSOL/Rede em Sergipe. Linda representa na política sergipana pautas de direitos humanos, diversidade e participação de grupos que reivindicam maior espaço nas decisões do Estado. Para seus eleitores, a disputa é também pela continuidade dessa representação. O obstáculo, porém, não nasceu de uma acusação de irregularidade pessoal contra ela. Em 4 de setembro, o TRE-SE rejeitou o Demonstrativo de Regularidade de Atos Partidários, chamado DRAP, da federação. O tribunal considerou que uma suspensão registrada contra o órgão estadual da Rede Sustentabilidade impedia a federação de apresentar suas candidaturas. O PSOL entrou regular na discussão; saiu atingido pela situação de seu parceiro. É o tipo de casamento político em que a pendência de uma das partes chega à porta das duas campanhas.
A decisão não parou em Linda. Atinge a tentativa de reeleição da deputada, a candidatura do professor e vereador Iran Barbosa ao Senado, a chapa de Dr. Helton Monteiro e Maria Izaltina ao governo, além dos nomes apresentados pela federação para a Câmara dos Deputados e a Assembleia. Iran, que construiu sua trajetória pública na defesa da educação e dos trabalhadores, vê sua campanha submetida ao mesmo impasse. Em 24 de setembro, o ministro André Mendonça, atuando no Tribunal Superior Eleitoral, manteve em decisões individuais o indeferimento dos atos partidários. A defesa do PSOL sustenta que a direção estadual da Rede já não tinha mandato vigente quando ocorreu a convenção de 2026 e afirma que a regra aplicada ao caso está errada. Há também uma contestação a referências de julgados usadas na ementa da decisão regional. O TRE-SE retirou essas referências, mas manteve o resultado. Agora, o partido quer levar a controvérsia ao colegiado do TSE.
Linda falou publicamente após a primeira decisão, em 4 de setembro. Disse que o PSOL recorreria e que sua campanha continuaria, pois entendia que a pendência era da Rede. Essa é a posição da deputada identificada nas fontes consultadas; não localizei uma nova declaração pessoal dela, posterior à decisão de Mendonça, para atribuir-lhe outra resposta. Nas redes e na cobertura política, o caso alimenta debates sobre o futuro da chapa e até sobre como uma eventual exclusão de seus votos alteraria a distribuição das cadeiras da Assembleia. Mas há um detalhe que merece ficar bem claro: Linda ainda pode aparecer no horário eleitoral gratuito enquanto sua candidatura permanecer sob recurso. A decisão individual do ministro não é, por si, uma ordem para retirar sua imagem do rádio e da televisão nas próximas horas. Campanha no ar, porém, não é garantia de mandato. A validade dos votos dependerá do desfecho judicial.
Falta uma semana para a eleição de 4 de outubro, e o PSOL precisa vencer duas corridas ao mesmo tempo: convencer o eleitor e reverter as decisões na Justiça. Se conseguir o deferimento final, os votos poderão produzir seus efeitos normais. Se o indeferimento prevalecer, Linda poderá ficar sem a reeleição mesmo que tenha uma votação expressiva; o mesmo risco alcança Iran e os demais candidatos da federação quanto aos mandatos que disputam. Ninguém perdeu agora o mandato que já exerce. Também é cedo para decretar que todos estão definitivamente fora da eleição. O que existe é uma derrota judicial relevante, um recurso anunciado e pouco tempo no calendário. Vale ouvir Linda diretamente sobre seus próximos passos. Afinal, a urna não tem balcão de informações jurídicas: quem pretende votar nela precisa saber, com clareza, o que está em jogo.




