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Nitinho, Djavan e o mea culpa tardio na orla de Maceió

No fim das contas, Nitinho resolveu fazer o que Djavan já ensinava há muito tempo em “Mea Culpa”: “a hora de fazer o mea-culpa é agora”. E foi. Tarde? Foi. Muito tarde? Também. Mas como diz o velho ditado político, pior do que errar é insistir no erro com coletiva e sorriso no rosto. Nitinho falou besteira sobre Maceió, levou a maré de volta na cara e percebeu que chamar a orla alheia de favela não era exatamente uma estratégia brilhante de turismo diplomático.

A retratação veio depois que metade de Alagoas já queria carimbar o passaporte dele com “não volte nunca mais”. E convenhamos, o povo de Aracaju já estava até com medo de desembarcar em Maceió e ouvir no aeroporto: “é sergipano? passa pra salinha”. Graças a Nitinho, viajar para a capital alagoana virou quase missão de paz da ONU. O cidadão só queria comer um sururu tranquilo e agora precisa explicar que não foi ele quem chamou a orla de favela.

Mas justiça seja feita: pedir desculpas é sempre mais digno do que dobrar a aposta. Nitinho pediu, reconheceu e isso precisa ser registrado. Todo mundo erra. Uns erram no grupo da família, outros erram na tribuna da Câmara e viram assunto interestadual. A diferença está justamente aí: ter humildade para voltar atrás. Porque, como diria Djavan, “é possível que no afã de uma ou outra briga tenha errado sem perdão”. E, sinceramente, quem nunca falou demais e depois quis pedir Wi-Fi para apagar?

Claro que a população sergipana também merece desculpas. Porque não basta ofender Maceió e depois deixar Aracaju parecendo aquele primo inconveniente do almoço de domingo. O vereador representa uma cidade inteira, e quando fala, não fala sozinho. Por isso, a retratação não é apenas para os alagoanos, mas para os aracajuanos que ficaram assistindo a confusão e pensando: “meu Deus, amanhã sou eu tentando explicar isso na praia de Pajuçara”.

Agora fica a lição, com trilha sonora e tudo: antes de criticar a areia do vizinho, olhe o próprio calçadão. Nitinho errou, pediu desculpas e segue o jogo. Que isso não se repita, porque da próxima vez talvez Djavan não cante “mea culpa”, cante logo “não volto mais”. E Maceió, que continua linda, azul e cheia de turistas, agradece, de preferência em silêncio, que às vezes o silêncio, para certos discursos, ainda é a melhor música.

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