Faltam nove dias para a eleição. Em muitas casas de Sergipe, porém, a contagem mais urgente é outra: quantas aulas ainda serão perdidas? O pai ou a mãe que sai cedo para trabalhar precisa reorganizar a rotina quando o filho fica em casa. O estudante que se prepara para o Enem olha o calendário de novembro e vê o tempo diminuir. A esses sergipanos cabe uma pergunta: o que acham de chegar tão perto da eleição sem uma proposta do governo capaz de pôr fim à greve? A resposta não pode ser mais um discurso sobre a importância da educação. Precisa chegar à escola, com prazo e compromisso verificável.
Os professores cobram a retomada dos escalonamentos da carreira após uma decisão do Supremo Tribunal Federal. O governo aponta dificuldades financeiras e impedimentos eleitorais; o SINTESE contesta os dois argumentos. É uma controvérsia que exige números, negociação e uma resposta pública de Fábio Mitidieri. Roberto Silva, presidente do sindicato, resumiu a posição da categoria numa frase: “A greve pode acabar, basta o governo querer”. Ao governador cabe mostrar se há uma proposta que permita acabar com ela e como pretende cumprir a decisão judicial.
É difícil pedir paciência a uma família que já fez sua parte. Ela acordou o filho, pagou o transporte, acompanhou as tarefas e depositou na escola pública a esperança de um futuro melhor. Agora precisa saber quando as aulas serão repostas e que apoio terão os estudantes que farão o Enem em 8 e 15 de novembro. O sindicato afirma que se compromete com a reposição. Falta transformar esse compromisso, junto com a Secretaria da Educação, num calendário claro para cada comunidade escolar. Nenhuma família deveria descobrir o plano para o ano letivo por rumores de corredor.
A política também deve uma explicação. Candidatos de diferentes partidos foram ao SINTESE e assinaram uma carta de compromisso com o magistério, entre eles Valmir de Francisquinho, Helton Monteiro, Ricardo Marques, Emanuel Cacho e Taty Cristina. O gesto merece registro, mas será cobrado de quem vencer. Já os partidos que se apresentam como defensores dos trabalhadores, inclusive os que apoiam o palanque de Lula em Sergipe, precisam dizer com clareza o que propõem para esta greve. Defender o professor no discurso nacional e evitar a pergunta concreta na escola sergipana seria uma incoerência difícil de explicar.
Mitidieri ainda pode escolher a resposta que ficará desta crise. Pode sentar com os professores, apresentar os cálculos do Estado, negociar prazos e construir com as escolas a reposição das aulas. Ou pode deixar que pais e estudantes atravessem mais uma semana de incerteza enquanto a campanha ocupa todos os microfones. Nove dias antes da eleição, a cobrança é simples: governador, converse com quem ensina e diga a quem aprende quando a escola terá uma solução.




