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Nove candidatos, poucos votos e um “cacho” encolhido

A Federação PSDB/Cidadania lançou nove candidatos a deputado federal: Tony dos Ambulantes, Acácio Cardoso, Débora Cristiane, Zoya, Natali da Saúde, Marquinhos Fontes, André Sotero, Vagner Andrade e Jeanne Lima. Há representantes dos ambulantes, da advocacia, da música, da enfermagem, da saúde e de setores comunitários. Diversidade não falta. O que falta é voto conhecido, mandato, base municipal e um puxador capaz de transformar a lista em chapa competitiva. A federação escalou o time. Esqueceu apenas de levar a bola.

Tony possui uma causa popular, mas sem estrutura estadual comprovada. Acácio recebeu 680 votos em 2020 e 559 em 2024. Débora já disputou eleições, porém continua eleitoralmente restrita. Zoya e Natali carregam bandeiras da saúde, mas partem quase do zero. Marquinhos ainda precisa apresentar sua identidade ao eleitor. André Sotero tem experiência eleitoral, sem votação competitiva. Vagner Andrade e Jeanne Lima chegam sem densidade pública conhecida. São candidatos respeitáveis, mas respeito não entra na urna convertido automaticamente em voto.

Em 2022, o quociente eleitoral para deputado federal em Sergipe ficou próximo de 149 mil votos. O número de 2026 será conhecido somente após a apuração, e existem as regras das sobras, mas a referência mostra o tamanho do problema. A Federação PSDB/Cidadania precisaria multiplicar sua votação em escala quase bíblica. Como MISSÃO e AGIR, e em grau diferente o próprio MDB, a chapa parece mais preparada para marcar presença do que para conquistar Brasília. Publicar nove nomes é fácil. Somar perto de 150 mil votos é quando a fotografia começa a suar.

Emanuel Cacho também precisa explicar por que seu cacho político encolheu tão depressa. Ele havia desistido do governo, anunciado aproximação com Valmir de Francisquinho e poderia conquistar espaço numa composição ligada a André Davi, que lidera levantamentos recentes para o primeiro voto ao Senado. Até sexta-feira, Cacho estava conversando com Edvan Amorim e o grupo oposicionista. No domingo, reapareceu candidato ao governo, sem chapa estadual, sem candidato ao Senado e com nove federais procurando votos de lupa na mão.

O que aconteceu nesse intervalo? Veio ordem nacional? Houve interferência do governo? Apareceu dinheiro partidário? A convenção decidiu sozinha? Não se pode acusar sem provas, mas Emanuel precisa esclarecer a reviravolta. Dizer que “a convenção é soberana” resolve a ata, não resolve o mistério. O PSDB desejava mostrar força e terminou exibindo uma candidatura solitária, uma nominata sem musculatura e um cacho cada vez menor. O tucano até abriu as asas. O problema é que, com essa quantidade de votos, Brasília continua parecendo outro continente.

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