O Partido Novo entrou na disputa federal em Sergipe com nove candidatos e um otimismo que faria qualquer consultor financeiro pedir os documentos da empresa. Para deputado estadual, porém, a legenda ainda não apresentou uma nominata no quadro analisado. Ou seja, para Brasília existe uma equipe. Para a Assembleia, existe uma página em branco, muita liberdade econômica e nenhuma pessoa escrita nela. O cenário mais provável, olhando a falta de puxadores conhecidos e a dificuldade matemática, é o partido terminar sem eleger deputado federal e sem deputado estadual. Seria uma renovação tão completa que não renovaria cadeira nenhuma.
Na chapa federal, Allan Marques aposta na ligação com Estância e o interior, mas precisa transformar identidade territorial em votação estadual. Ronadson Alves oferece o discurso de ouvir a população e combater a corrupção, pacote político tão popular que já deveria vir instalado de fábrica em todo candidato. Deivisson de Jesus, empreendedor e motorista por aplicativo, representa o trabalhador que conhece as ruas, os buracos e a experiência diária de ser avaliado por estrelas. Agora terá de descobrir quantas corridas são necessárias para chegar a Brasília.
Edileuza Sá Melo possui trajetória no serviço público e apresenta um currículo administrativo mais sólido que boa parte da chapa. Professor Genilton Góis, formado em Pedagogia e Matemática, leva projetos educacionais e talvez seja o mais preparado para explicar por que a conta eleitoral não fecha. Professor Eduardo Pitbull reúne educação e um nome de urna que parece prometer aula no primeiro horário e cobrança de tarefa com rosnado no segundo.
Titó é o candidato com experiência eleitoral mais identificável, depois de disputar vaga federal em 2022 e a Câmara Municipal de Estância em 2024. Já conhece campanha, santinho, caminhada e a tradicional promessa de voto feita por alguém que desaparece no domingo da eleição, mas vai ficar só mais uma vez. Grace Kelly entra com um nome digno de estrela internacional com efeito cinematográfico. Maria Conceição completa a nominata feminina e enfrenta o mesmo desafio
O problema do Novo não é a falta de profissões respeitáveis nem de boas intenções e não atinge o quociente eleitoral para deputado federal em Sergipe ficou próximo de 140 mil votos. Nove candidaturas pouco conhecidas precisam somar uma votação que partidos maiores, com prefeitos, deputados, máquinas municipais e cabos eleitorais profissionais, também perseguem.
Sem um puxador expressivo, a chapa pode somar votos simpáticos, receber elogios nas redes e terminar sem cadeira. No sistema proporcional, currículo não é milha aérea: juntar vários não garante viagem para Brasília. Titó oferece experiência; Edileuza, trajetória administrativa; Genilton, atuação educacional; Allan, base territorial; Ronadson, discurso político; Deivisson, identidade popular; Eduardo Pitbull, um nome impossível de ignorar; Grace Kelly e Maria Conceição, presença feminina. Todos têm características próprias. O que nenhum demonstrou ainda é força suficiente para carregar a legenda nas costas sem pedir auxílio à fisioterapia.
O diagnóstico é ácido, mas simples: o Novo pode disputar a eleição com nove candidatos federais e terminar com nove agradecimentos pela caminhada. Na Assembleia, sem chapa apresentada, a possibilidade atual é ainda mais objetiva: ninguém entra porque ninguém foi colocado na fila. O partido que prega eficiência, gestão e planejamento chegou à eleição sergipana com uma operação federal de alto risco e o setor estadual ainda em modo “em breve”. Pode surpreender? Pode. Mas, pela fotografia disponível, o resultado mais plausível é o Novo sair da eleição exatamente como entrou: sem deputado federal.





Uma resposta
Em uma eleição o resultado só é medido quando sai o resultado na urnas, por isso, assim como em um rio, muitas águas irão passar! O primeiro e principal passo é ja estar na competição!