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O povo foi ver Natanzinho. Fiote terá de conquistar o voto.

A carreata de Itabaiana produziu uma cena e uma pergunta. De um lado, Fiote das Castanhas, candidato a deputado federal, trabalhador conhecido e querido na cidade. Do outro, seu filho Natanzinho Lima, ídolo musical que anunciou a própria presença e ajudou a chamar o público para a rua. Minha leitura é que a grande atração daquele dia foi Natanzinho. Quem viu a festa pode até sair com uma foto do cantor e um adesivo de Fiote, mas foto não entra na urna. O pai é o candidato; o filho é o artista. Confundir uma fila de fãs com uma fila de votos é o tipo de conta que fica linda no vídeo e pode dar uma ressaca danada na apuração.

Há uma virada nessa história. Em agosto, o próprio Fiote contou que Natanzinho havia pedido para não participar diretamente da campanha. Em setembro, o cantor apareceu na carreata e explicou o motivo: “Meu pai nunca se intrometeu na minha carreira”, disse, lembrando que sempre recebeu seu apoio. Também declarou: “Não botei um real, não vou botar”. É uma atitude de filho que merece respeito. O problema começa quando o marketing político tenta transformar esse afeto em prova de força eleitoral. Natanzinho foi apoiar o pai, tirar fotos, receber o carinho dos fãs. Não se candidatou, não apresentou programa de governo e não pode emprestar ao pai, junto com a carreta, a votação que só o eleitor decide dar.

Fiote merece ser avaliado pelo que propõe e pela campanha que consegue construir, sem que sua história de trabalho seja diminuída. Entrar agora na disputa por uma vaga federal, porém, é enfrentar um teste bem diferente de ser reconhecido nas ruas de Itabaiana. É preciso buscar votos pelo Estado e depender também do desempenho da legenda; 70 mil votos não são uma senha automática para a eleição. Os outros candidatos que dividiram a carreata com ele, como Carlinhos Ferreira, naturalmente aproveitaram a vitrine. Na política, carona em carro de som é comum; o que não dá é voltar para casa anunciando que cada pessoa atraída por Natanzinho já escolheu todos os nomes do palanque.

A festa pode ter sido bonita, e o encontro de pai e filho, emocionante. Se houve convite para tomar cerveja depois, isso tampouco revela quem pagou a conta ou por que cada pessoa apareceu. O desafio de Fiote começa quando a música baixa: conversar sobre propostas, convencer quem não foi pela celebridade e transformar simpatia em voto. Natanzinho gravou Procure Me Esquecer; a campanha fará de tudo para que o eleitor não esqueça Fiote. Mas a urna tem uma teimosia danada: não pede selfie, não canta refrão e não vota por aplauso.

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