A reta final da eleição sergipana ganhou neste sábado um movimento político de peso nacional. Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, gravou vídeo dirigido aos eleitores de Sergipe e afirmou que, depois da inviabilização da candidatura de Ricardo Marques, o partido não tem mais candidato próprio ao Governo. Na sequência, declarou apoio a Valmir de Francisquinho e pediu votos para o republicano. Não é mais interpretação de bastidor, sinalização indireta ou conversa de corredor: a direção nacional do PL entrou oficialmente na disputa estadual e escolheu onde se posicionar.
O movimento é consequência direta da implosão da chapa de Ricardo Marques. Depois da renúncia de Salete e Érico Menezes à vice, o TRE de Sergipe considerou juridicamente inviável a continuidade da candidatura sem recomposição da chapa. Ricardo reagiu dizendo que não desistiu voluntariamente, mas acabou anunciando apoio a Valmir. Agora Valdemar faz o mesmo movimento em nome da direção nacional. Assim, em poucos dias, o que era uma candidatura própria do PL transformou se numa transferência explícita de apoio para o principal campo oposicionista.
Politicamente, a fala de Valdemar produz efeito maior do que um simples pedido de voto. Ela reorganiza a mensagem enviada ao eleitor identificado com o PL e reduz a ambiguidade criada pelo colapso da candidatura de Ricardo. Valdemar apresentou Valmir como “homem do batente, da luta, do bem” e afirmou que ele pode melhorar a vida dos sergipanos. A frase é naturalmente uma manifestação política do presidente partidário, não uma constatação objetiva, mas revela com clareza que a direção nacional decidiu assumir Valmir como sua referência para o Governo de Sergipe nesta reta final.
O episódio também deixa um retrato curioso da eleição: a crise interna do PL estadual, que parecia destinada apenas a enfraquecer o partido, terminou empurrando sua principal estrutura nacional para outra candidatura. Ricardo anunciou apoio, Valdemar confirmou a direção e o PL nacional passou a pedir voto abertamente em Valmir. O tamanho do efeito eleitoral dessa mudança só poderá ser medido nas urnas, mas o fato político já está consumado: às vésperas da votação, a direção nacional de uma das principais siglas do país decidiu intervir diretamente no tabuleiro sergipano e reposicionar seus eleitores depois do fim da candidatura própria.




