Pastor Diego colocou na mesa um tema que muita gente comenta em casa, mas poucos têm coragem de levar ao plenário: criança não deve ser usada como figurante em guerra ideológica de adulto. O vereador defende projeto para restringir a presença de crianças e adolescentes em paradas LGBTQIA+ em Aracaju, seguindo o caminho aberto por São Paulo. E fez bem. Não se trata de perseguir ninguém, nem de negar direitos a quem quer que seja. Trata-se de uma pergunta simples, direta e necessária: todo ambiente público de militância, festa, exposição corporal e pauta adulta é adequado para criança? A resposta, para muitas famílias sergipanas, é não.
São Paulo acertou ao abrir esse debate. Aracaju também precisa ter coragem de fazer o mesmo, sem baixar a cabeça para a patrulha dos rótulos. Hoje, qualquer discussão sobre limite etário vira automaticamente “preconceito”, “transfobia”, “ataque à diversidade” e mais meia dúzia de carimbos prontos. É a política do grito: quando falta argumento, sobra etiqueta. Mas uma mãe, um pai ou uma avó podem respeitar pessoas LGBTQIA+, defender que ninguém sofra violência e, ainda assim, entender que determinados eventos não são apropriados para menores. Isso não é ódio. É discernimento familiar.
Sônia Meire reagiu dizendo que a proposta tem caráter preconceituoso e que, se houver exposição inadequada, Conselho Tutelar e órgãos fiscalizadores podem agir. O argumento parece bonito, mas chega tarde. Fiscalizar depois do dano não substitui prevenir antes. É como dizer que não precisa de semáforo porque existe hospital. Quando se fala de infância, prevenção não é exagero. É obrigação. O Estatuto da Criança e do Adolescente existe justamente porque criança e adolescente não podem ser tratados como adultos prontos para todos os ambientes, todas as linguagens e todas as exposições.
Pastor Diego merece elogio pela coragem política. Em tempos em que muita gente prefere ficar em silêncio para não apanhar nas redes sociais, ele assumiu posição, defendeu princípios cristãos, falou em proteção da família e colocou um tema sensível no debate público. Pode-se aperfeiçoar o projeto, discutir técnica legislativa, ouvir Ministério Público, Conselho Tutelar e especialistas. O que não dá é transformar o autor da proposta em vilão só porque ele ousou dizer que criança precisa de limite. Democracia não é todo mundo concordar com a esquerda antes do almoço.
O ponto político é claro: parte da esquerda tenta transformar qualquer pauta de família em crime moral. Se alguém defende proteção da infância, vira retrógrado. Se alguém fala em limite, vira intolerante. Se alguém questiona ambiente adulto para criança, vira inimigo da diversidade. Essa lógica cansa o brasileiro, afasta o cidadão comum do debate e transforma a política num teatro de acusações. O povo quer menos lacração e mais bom senso. Criança não é instrumento de palanque, nem bandeira de militância, nem troféu para adulto provar virtude em rede social.
Aracaju precisa discutir esse projeto com seriedade. Sem histeria, sem caricatura e sem medo. A diversidade deve ser respeitada, mas a infância deve ser protegida. Uma coisa não anula a outra. O adulto tem liberdade para se manifestar, celebrar, protestar e defender sua pauta. Mas liberdade adulta não pode passar por cima da prioridade absoluta da criança. Pastor Diego acertou ao provocar o debate. Agora cabe à Câmara decidir se vai tratar o assunto com maturidade ou se vai preferir o velho espetáculo dos rótulos, onde todo mundo grita muito e quase ninguém pensa no essencial: proteger os pequenos.




