A convenção do PL, realizada ontem, na sede estadual do partido, foi pequena para o tamanho da propaganda que a legenda costuma fazer de si mesma. O ato confirmou uma chapa puro-sangue, com Ricardo Marques para governador, Pastora Salete Fernandes para vice e Rodrigo Valadares e Coronel Rocha para as duas vagas ao Senado. No papel, um exército. No ambiente, uma reunião compacta, cercada por militantes já convencidos e discursos para quem já sabia as respostas. O partido que pretende representar toda a direita sergipana acabou cabendo confortavelmente dentro da própria sede. Não há pecado em fazer convenção pequena. O problema é querer vender reunião de diretório como tomada da Bastilha.
Ricardo Marques insistiu que não trabalha com desistência, que foi chamado para construir um projeto e que possui o povo ao seu lado. A repetição tinha endereço certo. Servia para responder às notícias de que a direção nacional poderia retirar sua candidatura numa composição com o Republicanos. Rodrigo Valadares tentou dar grandeza nacional ao encontro ao anunciar que “o time de Flávio Bolsonaro em Sergipe está montado”, mas deixou a porta aberta ao admitir que, até 5 de agosto, tudo poderia acontecer. É uma chapa tão definitiva que o próprio comandante avisou que ainda pode ser modificada. Ricardo dizia que não recua. Rodrigo lembrava que Brasília ainda pode mandar caminhar para outro lado. Um discursava com ponto final. O outro segurava a borracha.
Coronel Rocha fez o discurso mais duro. Defendeu processos contra ministros do Supremo, colocou a segurança pública no centro da campanha e afirmou que a preocupação política estava no Republicanos, não no PL. Moana Valadares apresentou sua candidatura à Câmara como propósito inegociável e falou em emprego, renda e participação feminina. Cecília Marques, apresentada como candidata à Assembleia, prometeu ser “o coração, o olho e o braço” de Ricardo nas ruas. Pastora Salete acrescentou o segmento evangélico, a presença feminina e a pauta da saúde da mulher. Houve frases para todos os gostos. Só faltou explicar como o PL pretende transformar esse repertório numa onda eleitoral. Discurso não faltou. A multidão é que aparentemente perdeu o endereço da sede.
Nas pesquisas, a chapa ainda não produziu o terremoto anunciado nos microfones. Ricardo Marques aparece em levantamentos recentes entre aproximadamente 4% e 6%, sem conseguir romper a polarização entre Fábio Mitidieri e Valmir de Francisquinho. Rodrigo Valadares também oscila. Foi registrado com 5% na média de levantamento do CTAS e chegou a 12% em pesquisa do Real Time Big Data, mas ainda não se consolidou entre os dois favoritos às vagas do Senado. Na disputa federal, a cautela deve ser ainda maior. Até a manhã de 4 de agosto, a relação proporcional completa não estava publicamente consolidada. Moana Valadares e Carol Gomes aparecem como nomes à Câmara, enquanto Cecília Marques e Coronel Pontual foram identificados para a Assembleia. Moana teve 7.216 votos para vereadora de Aracaju em 2024, votação expressiva para a capital, mas ainda distante da escala de uma eleição federal. Sem a nominata completa, não existe cálculo sério. Com os nomes conhecidos, porém, também não aparece um puxador capaz de aproximar o PL da faixa de 120 mil a 150 mil votos exigida pela matemática proporcional de Sergipe. O partido apresentou candidatos. Ainda não apresentou o caminho até a cadeira.
O ponto decisivo é que, nesta terça-feira, 4 de agosto, o quadro continua aberto. PL e Republicanos mantêm negociações nacionais sobre alianças estaduais, embora Sergipe não apareça publicamente entre os estados já incluídos nos acordos noticiados. Portanto, uma ordem nacional alterando a composição local é possível como movimento político, mas não está confirmada. Rodrigo deixou isso claro ao dizer que tudo poderia acontecer até o encerramento das convenções, em 5 de agosto. O PL homologou Ricardo, Salete, Rodrigo e Rocha, mas terminou a noite reconhecendo que Brasília ainda poderia redesenhar a fotografia. A convenção não resolveu a incerteza. Apenas colocou moldura nela. O PL entrou no evento afirmando que tinha uma chapa definitiva e saiu admitindo que a definição definitiva talvez fosse definida depois.




