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PL tem 32 candidatos, muita fé e pouco oxigênio eleitoral

Três títulos forteO PL de Sergipe apresentou nove candidatos a deputado federal e 23 a deputado estadual. É uma chapa com deputado, vereador, ex-prefeito, cantor, delegado, sargento, coronel, professora, doutora, projeto social e apelido suficiente para três temporadas de programa de auditório. A direção nacional pode esperar uma locomotiva conservadora, mas corre o risco de receber um patinete: nenhum governador, nenhum senador, nenhum federal e, no máximo, dois estaduais. Muita gente na fotografia e pouca cadeira disponível quando a música parar.

Na disputa federal, Moana Valadares leva mandato de vereadora, presença digital e estrutura partidária; Diná Almeida, experiência de ex-deputada e base regional; Luizão Dona Trampi, mandato estadual e comunicação popular; Mendonça Prado, currículo de ex-deputado federal tão longo que pode começar a leitura em Aracaju e terminar em Brasília. Delegado Augusto César poderá investigar o desaparecimento dos votos; Sargento Vieira oferece disciplina, embora o quociente não aceite ordem unida; Welington Camargo traz música, fama e sobrenome nacional, mas aplauso não sai impresso no boletim da urna; Neo Sobral precisa ampliar sua presença; e Vitória Paulyne tenta transformar renovação em lembrança eleitoral.

O problema é que nenhum deles aparece, de saída, com a força demonstrada por Ícaro de Valmir em 2022. Eleger um federal será muito difícil. Pode acontecer, mas o cenário de nenhum eleito é bastante plausível. Moana pode fazer campanha, Luizão pode viralizar, Mendonça pode apresentar o currículo inteiro e Welington pode cantar até o bis. O sistema proporcional, porém, não é programa de talentos. O jurado não vira a cadeira porque gostou da apresentação.

Na chapa estadual, Luciano Pimentel chega como o nome mais testado; Fernandinho Franco leva a experiência de ex-prefeito, base em Muribeca e um sorriso capaz de cumprimentar governo e oposição sem derramar o café; Josivaldo da Equoterapia possui causa social e voto concentrado em Lagarto. São os nomes mais competitivos. Atrás deles vêm Benária de Bocão, com identidade familiar; Bolsonaro Sergipano, que economizou o discurso colocando a ideologia no nome; Cecília Marques, aposta feminina conservadora; e Flávio da Direita, que não deixa nenhuma dúvida nem para quem lê o santinho de cabeça para baixo.

Gabriel Déda carrega um sobrenome de forte memória política; Peter Costa, Itamar Alves, Mara Siqueira e Sheila Matos precisam apresentar melhor suas bases. Coronel Fábio, Coronel Pontual e Delegado Marcelo Paes formam o bloco da segurança, capaz de fazer até a urna eletrônica confessar onde escondeu os votos. Dra. Catarina e Dra. Rayzaapostam na autoridade profissional, embora a urna não aceite receita para votação baixa. Professora Avilete representa a educação, homenageada durante a campanha e esquecida depois da apuração.

Completam a chapa Clevson do Projeto Bike Roubada, com a causa no próprio nome; Tarcísio da NCT, que primeiro terá de explicar a sigla; VF Vanilton Francisco, que já economizou até nas letras; Pripri do Povo, íntima do eleitor antes mesmo do aperto de mão; e Jéssica de Dona Vera, apoiada na identidade familiar típica dos bairros e do interior. Todos ajudam na soma. Uns carregam o bonde, outros empurram e sempre existe quem passe a campanha inteira perguntando se ainda há lugar na janela.

O PL pode fazer até dois deputados estaduais, principalmente se Luciano, Fernandinho, Josivaldo e Cecília Marques, esposa de Ricardo, tiverem bom desempenho e o restante da chapa contribuir. Uma vaga parece mais acessível. Duas exigem votação coletiva. Três já dependeriam de uma multiplicação tão generosa que até o Novo Testamento pediria recontagem.

A convenção ainda produziu seu próprio número de stand-up. Rodrigo Valadares, presidente do partido e candidato ao Senado, afirmou que a prioridade era eleger senador e deputados federais. Ao lado dele estava Ricardo Marques, candidato ao governo, provavelmente conferindo se havia entrado no evento certo. Ricardo explicou depois que a declaração fora retirada de contexto. O problema é que o contexto costuma chegar atrasado, quando a manchete já almoçou, viralizou e pediu sobremesa.

Rodrigo subiu ao palco para apresentar Ricardo, mas terminou apresentando Rodrigo. O Senado ficou na suíte presidencial, os federais ganharam café da manhã e o candidato ao governo recebeu uma senha para aguardar na recepção. A impressão foi simples: Ricardo serve mais ao projeto senatorial de Rodrigo do que Rodrigo serve ao projeto de Ricardo.

O cenário mais constrangedor para o PL é terminar sem governador, sem senador e sem deputado federal, salvando apenas dois estaduais. Seria uma decepção para a direção nacional, que espera bancada e pode receber uma dupla. O partido tem cantor, delegado, coronel, professora, doutora, ex-prefeito, sobrenome famoso e Bolsonaro até no nome de urna. Falta apenas aquele detalhe antigo e inconveniente que a Justiça Eleitoral insiste em exigir: voto.

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