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Quando o microfone só enxerga uma caçamba

Há um tipo de jornalismo que não precisa mentir para distorcer a realidade. Basta escolher onde colocar a lupa. Perguntar se Valmir de Francisquinho, Emília Corrêa e Ricardo Marques poderiam subir juntos na mesma caçamba é uma pergunta legítima. O problema é fazer essa pergunta como se apenas aquele lado da política sergipana tivesse passado, divergências e reconciliações para explicar. Ricardo, ao declarar apoio a Valmir, disse claramente que foram adversários políticos, não inimigos. Houve críticas, choque eleitoral, divergência de estratégia e acusações políticas entre os grupos. Isso merece ser lembrado. Mas jornalismo sério não escolhe metade da memória que lhe convém.

Porque existe uma caçamba muito mais pesada esperando pela mesma pergunta. Rogério Carvalho chamou o governo de Fábio Mitidieri de corrupto. Depois, em março deste ano, admitiu que exagerou e classificou aquela reação como intempestiva. Pouco tempo depois, passou a integrar a chapa governista como candidato ao Senado. Isso é fato documentado. Então onde estava a pergunta incômoda? Onde estava o microfone perguntando ao eleitor se aceitaria Fábio e Rogério no mesmo palanque depois de uma acusação dessa gravidade? Criticar capacidade administrativa, estratégia política ou conhecimento jurídico é uma coisa. Colocar a palavra corrupção sobre um governo é outra, muito mais grave.

É exatamente aí que parte do jornalismo perde autoridade. Quando a curiosidade muda conforme o personagem, deixa de existir uma régua jornalística e passa a existir uma régua de conveniência. O microfone aperta um lado, acaricia o outro e depois apresenta isso como imparcialidade. Não é preciso defender Valmir, Ricardo, Fábio ou Rogério para perceber a incoerência. Basta fazer a pergunta elementar que todo jornalista deveria carregar consigo: eu faria esta mesma pergunta se os nomes fossem trocados? Se a resposta for não, talvez o problema não esteja na caçamba. Talvez esteja em quem segura o microfone.

A população precisa prestar atenção nisso. Jornalismo não é lançar uma dúvida cuidadosamente escolhida no ar e esperar que ela faça o serviço político sozinha. Jornalismo é contexto, memória e igualdade de cobrança. Se Ricardo e Valmir precisam explicar suas divergências passadas, Fábio e Rogério também precisam ter lembrada uma acusação pública de corrupção feita por um contra o governo do outro. Esquecer isso enquanto se dramatiza uma reconciliação adversária não é rigor. É memória seletiva. E memória seletiva, quando veste crachá de imprensa, continua sendo seletiva.

Blind Date Notícias

Luciano no Fogaréu. Luciano Bispo foi para o Fogaréu de Itabaiana ao lado de Fábio Mitidieri e André Moura e entrou na reta final com o sapato pedindo aposentadoria. A mobilização percorreu ruas e avenidas da cidade e, segundo a assessoria, reuniu milhares de pessoas. Na terra da feira, Luciano resolveu fazer campanha no modo raiz: aperto de mão, caminhada e sola quente. Porque voto, meu amigo, ainda não vem por delivery.

Cecília na articulação. Cecília Marques apareceu no centro da reunião convocada por Ricardo Marques depois da mudança no cenário da candidatura ao governo. O grupo sentou para discutir os próximos passos e qual palanque poderia receber os aliados. Cecília ficou ali no miolo da conversa, onde cada cadeira valia quase um mapa eleitoral. Só uma coisa não apareceu na reunião: confirmação de que ela tenha desistido da disputa estadual. Uma confusão de cada vez, minha gente.

Katarina interrompe agenda. Uma agenda de Katarina Feitosa no bairro São Carlos foi cancelada após um homem ser morto a tiros nas proximidades do evento. Policiais que faziam a segurança da parlamentar atuaram e Katarina deixou o local em segurança com sua equipe. Aqui não cabe piada com a tragédia: o episódio é grave e, até o relato disponível, não havia indicação de ligação entre o homicídio e a campanha. Campanha eleitoral já tem emoção suficiente sem precisar virar caso de polícia.

Yandra abre o microfone. Yandra Moura foi à Rádio Esperança, em Estância, e aproveitou o microfone para falar justamente de quem vive dele. Defendeu propostas envolvendo piso salarial para radialistas e conselheiros tutelares, primeiro emprego e duplicação da BR 101 no Sul sergipano. Também contou da caminhada no Santa Maria. Radialista ouviu “piso salarial” e até aumentou o volume do retorno para ter certeza de que não era interferência.

Moana rebate e permanece. Moana Valadares reapareceu na Câmara de Aracaju dizendo, em bom português, que continua candidata a deputada federal. Também rebateu Luizão sobre a história de quem teria apresentado Rodrigo Valadares à família Bolsonaro. No PL sergipano, ultimamente, todo mundo apresenta uma versão e ninguém apresenta sossego. Moana foi ao confronto, reafirmou a candidatura e mostrou que, se depender dela, ainda tem muito capítulo antes dos créditos finais.

Luizão discute o rumo. Luizão Donald Trump apareceu na reunião que discutiu o destino político dos aliados de Ricardo Marques. O encontro aconteceu enquanto o grupo tentava reorganizar a tropa e decidir para onde caminhar na disputa estadual. Luizão entrou na conversa justamente na hora em que o GPS político estava recalculando a rota. Em Sergipe, até Donald Trump já percebeu que, faltando poucos dias para a urna, é melhor conferir duas vezes onde fica o palanque.

Augusto na reunião. Delegado Augusto César também participou da reunião comandada pelo grupo de Ricardo Marques para discutir os próximos passos eleitorais. O candidato a deputado federal apareceu no encontro, mas sem declaração individual registrada sobre qual caminho defenderia. Augusto ficou naquela posição clássica de reunião política: ouviu, observou e deixou os outros gastarem saliva. Delegado experiente sabe que, às vezes, o melhor depoimento é aquele que ninguém conseguiu arrancar.

Anderson vai à rua. Anderson de Zé das Canas também mergulhou no Fogaréu de Itabaiana ao lado de Fábio Mitidieri, Luciano Bispo e André Moura. A mobilização tomou ruas e avenidas e colocou o candidato no meio da multidão em plena reta final. Anderson foi buscar voto onde político gosta de encontrar eleitor: no meio da rua. Em Itabaiana, só faltou alguém vender um pacote promocional com santinho, pastel e caldo de cana.

Edvaldo percorre a Zona Norte. Edvaldo Nogueira fez carreata pelo José Eduardo Dutra, Lamarão, Porto Dantas e Ponta da Asa, revisitando áreas marcadas por obras de suas gestões na Prefeitura de Aracaju. Conversou com moradores, apresentou propostas e usou seu histórico administrativo como cartão de visita para o Senado. Edvaldo voltou aos bairros onde já foi prefeito pedindo agora passagem para Brasília. É quase mudança de endereço político com comprovante de residência eleitoral.

Rocha discute os próximos passos. Coronel Rocha também sentou à mesa com os aliados de Ricardo Marques para discutir o futuro do grupo. Sua presença apareceu no encontro que tratava de novos apoios depois da mudança no cenário da disputa pelo governo. Rocha entrou no meio do rebuliço, mas sem declaração individual registrada sobre qual seria sua escolha. No PL, naquele momento, tinha mais gente recalculando rota do que motorista perdido em rotatória de Aracaju.

André em duas frentes. André Moura dividiu o dia entre o Fogaréu de Itabaiana e os gestos políticos em direção à Câmara de Aracaju. Parabenizou Isac Silveira e os novos integrantes da Mesa Diretora e falou em parceria com os vereadores caso chegue ao Senado. Foi campanha no sistema duas telas: numa, multidão no Agreste; na outra, articulação institucional na capital. André passou o dia fazendo política no atacado e no varejo.

Homens diante do espelho. A Coordenadoria da Mulher do TJSE promoveu capacitação para ampliar grupos reflexivos destinados a homens autores de violência doméstica. A proposta é trabalhar comportamento, responsabilização e prevenção da reincidência, levando a política também para municípios do interior. É a Justiça tentando enfrentar o problema antes que ele volte para dentro do processo. Porque medida protetiva é essencial, mas mudança de comportamento também precisa entrar pela porta.

Reforma bate à prefeitura. O TCE/SE anunciou para 19 de outubro um evento dedicado aos impactos da Reforma Tributária nos municípios sergipanos. Prefeitos, técnicos e gestores terão pela frente um tema capaz de transformar qualquer café de repartição em seminário econômico. A nova sistemática mexe diretamente com receitas e planejamento municipal. Em resumo: quando Brasília muda imposto, até a calculadora da prefeitura pede reunião extraordinária.

Pleno ganhou folga eleitoral. O TCE/SE suspendeu a 31ª Sessão Ordinária do Tribunal Pleno, que estava prevista para 1º de outubro, conforme Ato da Presidência nº 74/2026. A medida reorganizou o calendário institucional justamente na semana que antecede as eleições. Processo de contas pode até esperar alguns dias; urna, minha gente, trabalha com calendário próprio e não aceita pedido de vista.

Sukita ficou sem Instagram. A pedido do Ministério Público Eleitoral, o TRE-SE determinou a suspensão do perfil de Manoel Sukita no Instagram. Segundo o MPF, o ex-prefeito, que está com os direitos políticos suspensos, teria utilizado publicações em mosaico para contornar uma ordem judicial anterior que restringia seu protagonismo eleitoral. Sukita sempre gostou de palco; desta vez, segundo a decisão divulgada pelo MPF, até o palco virtual recebeu ordem para apagar as luzes.

Bicho também tem Ministério Público. Uma articulação do MPF com a UFS e entidades parceiras viabilizou atendimento veterinário para 61 animais em Aracaju e Laranjeiras, com 180 exames laboratoriais, exames de imagem e imunizações. A iniciativa nasceu de atuação institucional voltada à proteção animal. Teve cachorro e gato recebendo mais check-up numa manhã do que muito cidadão faz em três anos. E, pelo menos dessa vez, ninguém precisou latir na recepção para ser atendido.

MP ganhou reforço. Dois novos servidores aprovados no IV Concurso Público tomaram posse no Ministério Público de Sergipe: uma técnica da área administrativa e um analista de tecnologia da informação. As nomeações dão sequência ao reforço do quadro iniciado em agosto. Ministério Público moderno precisa de promotor, técnico, analista e gente que saiba por que o sistema resolveu parar justamente cinco minutos antes do prazo. TI, afinal, também é função essencial à Justiça — principalmente quando a senha vence.

Alvará voltou a respirar. A OAB Sergipe informou que acompanhou o fim da greve dos empregados da Caixa e verificou a normalização do pagamento de alvarás judiciais. A entidade manteve contato com a Superintendência Regional do banco durante a paralisação e confirmou a retomada dos pagamentos em 30 de setembro. Advogado sabe que sentença favorável é ótima; alvará efetivamente pago é ainda mais bonito. Porque vitória processual não paga boleto enquanto estiver presa dentro do sistema.

Doze endereços mudaram. O TRE-SE atualizou a relação de locais de votação da 27ª Zona Eleitoral e informou que doze deles terão novos endereços, atingindo bairros como Atalaia, Aruana, Coroa do Meio, Farolândia, Mosqueiro e Santa Maria. A orientação é conferir tudo no e-Título antes de sair de casa. Porque descobrir às 16h50 que sua seção mudou de bairro é uma modalidade de emoção que a Justiça Eleitoral não recomenda a ninguém.

TRE mexeu na agenda. O Tribunal Regional Eleitoral alterou datas de sessões plenárias de outubro. A sessão inicialmente marcada para o dia 9 passou para 13, enquanto as dos dias 29 e 30 foram antecipadas para 27 e 28. No calendário eleitoral, até agenda de desembargador precisa aprender a dançar conforme a música. Outubro chegou e, no TRE, parece que até o calendário pediu certidão de regularidade antes de mudar de página.

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