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Rony Almeida: a toga ficou, o amigo partiu e o Ministério Público amanheceu em lágrimas!

O Ministério Público de Sergipe amanheceu mais triste nesta segunda-feira, 12 de outubro. Partiu Rony Almeida. Para muitos, um promotor de Justiça, ex-procurador-geral e homem que dedicou 34 anos à instituição. Para mim, partiu um grande amigo. Os cargos passam, os gabinetes recebem novos titulares, mas existem ausências que ninguém consegue preencher. Rony era dessas pessoas raras que não precisavam fazer esforço para conquistar carinho. Bastava conhecê-lo para entender sua grandeza.

Conheci Rony como advogado, acompanhei sua trajetória como promotor e o vi chegar ao comando do Ministério Público de Sergipe. Mas meu maior privilégio foi conhecer o homem por trás da autoridade. Por onde passava, havia sempre alguém querendo cumprimentá-lo, abraçá-lo, conversar. Era querido pelos colegas, respeitado pelos advogados e admirado pelos servidores. Tinha a serenidade dos homens sábios e a humildade de quem nunca precisou de um cargo para demonstrar seu valor. Era firme no cumprimento da lei, mas profundamente humano nas relações. Guardo comigo suas conversas, seu sorriso tranquilo e a generosidade com que tratava as pessoas.

Nos últimos tempos, Rony enfrentou uma batalha dolorosa contra a doença. Penso em sua esposa, em seus filhos e familiares, que acompanharam de perto os momentos de sofrimento e esperança. Diante da fragilidade da vida, os títulos perdem a importância. O procurador-geral era, acima de tudo, o marido, o pai, o homem amado. Nenhuma toga protege da dor. Nenhuma autoridade consegue negociar com o tempo. E nenhuma palavra é capaz de substituir um abraço que não voltará. É essa ausência que agora machuca o coração de quem teve a felicidade de amá-lo.

O Ministério Público decretou três dias de luto oficial. Homenagem justa, mas a saudade não obedece a portarias nem conhece calendários. Ela aparece numa fotografia, numa lembrança inesperada, na vontade de telefonar para alguém que já não poderá atender. Talvez seja essa a parte mais cruel da despedida: a saudade é o amor procurando alguém que já não pode abraçar. Rony deixa uma trajetória respeitável na Justiça, mas sua maior herança está nos afetos que cultivou e na bondade que espalhou.

Escrevo estas palavras com os olhos voltados para tantas lembranças e o coração apertado pela perda de um amigo. À sua esposa, aos filhos e familiares, deixo minha solidariedade e meu abraço mais sincero. Meu querido Rony, você ocupou a cadeira mais importante do Ministério Público de Sergipe, mas seu maior legado não ficou naquele gabinete. Ficou no coração das pessoas que tiveram a alegria de conviver com você.

Hoje, Sergipe perdeu um grande promotor. O Ministério Público perdeu uma de suas referências. Sua família perdeu uma presença insubstituível. E eu perdi um amigo que jamais esquecerei. A toga ficou. O gabinete ficou. Mas aquele sorriso, aquele abraço e aquela maneira tão bonita de tratar as pessoas partiram com você. Descanse em paz, meu amigo Rony. Obrigado por ter passado pela minha vida.

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