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Santinho, lista de nomes e milhões em espécie: o retrato incômodo da reta final

A reta final das eleições de 2026 colocou delegacias, bancos e operações policiais no centro da campanha. Dinheiro vivo, listas de eleitores, anotações e material de propaganda começaram a aparecer com frequência preocupante. Só em Sergipe, a Polícia Federal apreendeu R$ 505,7 mil após acompanhar um saque de R$ 500 mil considerado suspeito e investiga se os recursos seriam utilizados para favorecer candidatura. Em Salgado, a Operação Urna Livre nasceu de denúncia segundo a qual valores em espécie seriam distribuídos semanalmente para influenciar eleitores. Dinheiro, sozinho, não condena ninguém. Mas dinheiro cercado de nomes, santinhos e registros já deixou de ser coincidência confortável e passou a exigir respostas.

O episódio envolvendo material associado às campanhas de Anderson de Zé das Canas e Lidiane Lucena é ainda mais delicado. Segundo as informações apresentadas sobre a ocorrência em Lagarto, não teria sido encontrado dinheiro, mas haveria uma relação com nomes, valores e registros indicando quem teria recebido e quem ainda teria algo a receber. Se esse conteúdo for confirmado pela investigação, não estamos diante de uma simples folha perdida no meio de santinhos. Estamos diante de uma possível contabilidade. E contabilidade tem origem, destino e responsável. Anderson é candidato a deputado federal pelo PSD, enquanto Lidiane Lucena disputa vaga de deputada estadual pelo União Brasil.

É justamente por isso que Polícia Civil, Polícia Federal e Justiça Eleitoral precisam ir além das notas burocráticas. Quem são as pessoas relacionadas nessas listas? O que significam os valores anotados? Quem entregaria o dinheiro? Quem receberia? Qual campanha seria beneficiada? O eleitor não pode ser tratado como criança a quem se conta metade da história. Se alguém tentou comprar voto, o nome precisa aparecer quando houver prova e fundamento legal para sua divulgação. Se Anderson, Lidiane ou qualquer outro candidato não tiveram participação, isso também precisa ser esclarecido. O que não serve é transformar uma investigação potencialmente gravíssima numa coleção de iniciais, silêncios e eufemismos enquanto o cidadão vai à urna sem saber o que realmente ocorreu.

E a cobrança não vale apenas para Anderson e Lidiane. Vale para os R$ 505,7 mil apreendidos em Aracaju, para Salgado e para qualquer outra operação eleitoral. Compra de voto não pode virar crime com dinheiro, lista e eleitor, mas misteriosamente sem candidato beneficiado. A investigação precisa seguir celulares, contas, planilhas, mensagens, destinatários e origem dos recursos. Santinho não é prova de corrupção eleitoral e lista não é sentença. Mas uma planilha indicando supostos pagamentos não pode ser tratada como papel de pão. Se não houve ilícito, que a apuração limpe os nomes. Se houve, que diga quem pagou, quem recebeu e para beneficiar quem. Democracia não combina com voto comprado. Muito menos com investigação que encontra tudo, menos o responsável.

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