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Seis candidatos, duas vagas: quem levará Sergipe além do discurso?

Uma mãe que espera uma consulta para o filho não quer saber quem venceu a discussão nas redes sociais. O trabalhador que abre a torneira e encontra ar também não. Eles querem respostas. Foi com essa pergunta em mente que o Portal Fausto Leite procurou todos os candidatos ao Senado. Segundo os contatos feitos pelo portal, seis responderam, em entrevistas, conversas diretas ou trocas de ideias; os demais não retornaram pelas assessorias ou pelos contatos particulares utilizados. 

Eduardo Amorim pede ao eleitor que olhe para a saúde antes de olhar para o palanque. Médico e ex-senador, conhece a distância entre anunciar uma unidade e conseguir que o paciente seja atendido nela. Em entrevista, defendeu a ampliação dos serviços públicos e sua descentralização para o interior; também criticou o que considera excesso de marketing na saúde do governo estadual. É uma posição que o obriga a oferecer respostas concretas: como reduzir a espera por exames, fortalecer a oncologia e evitar que uma família atravesse Sergipe em busca de tratamento? Eduardo diz que voltou à disputa mais preparado do que quando exerceu o mandato. Sua experiência dá peso a essa afirmação. Sem dúvidas é um dos nomes mais preparados da eleição, sobretudo porque sua pauta começa onde a política costuma ser julgada com mais dureza: diante de alguém que precisa de cuidado agora.  

André Moura oferece outra força. Seu argumento é o de quem conhece os caminhos do Congresso e sabe reunir prefeitos, parlamentares e governo em torno de uma demanda. Ao defender que governo, Senado e Câmara atuem como uma engrenagem para Sergipe, André apresenta uma visão de mandato voltada à articulação. Fala em recursos para os municípios, infraestrutura, segurança e policlínicas regionais. Há uma cobrança legítima a fazer: cada articulação precisa terminar em obra, serviço e prestação de contas. Mas seria ingenuidade desprezar a capacidade de negociação num estado que precisa disputar investimentos em Brasília todos os dias. Eduardo conhece de perto a urgência do atendimento; André conhece a mesa em que se decide como fazê-lo chegar. São talentos diferentes, e é justamente essa diferença que os coloca em destaque nesta análise.  

Alessandro Vieira quer representar o eleitor que desconfia de acordos feitos longe de seus olhos. O delegado fez da fiscalização uma marca política e tem razão ao exigir transparência dos adversários. Mas a mesma régua deve medir seu mandato: recursos destinados precisam ser apresentados ao lado dos valores pagos e dos resultados entregues. A disputa com Rodrigo Valadares mostra como a campanha pode trocar rapidamente a prestação de contas pelo ataque pessoal. Alessandro respondeu a críticas do deputado com uma provocação sobre quem trabalha mais; Rodrigo, por sua vez, faz da confrontação uma parte central de sua presença política. A troca rende atenção nas redes. Para o sergipano, a pergunta útil é outra: qual dos dois consegue transformar sua voz em solução para a água, a saúde e o emprego?  

Edvaldo Nogueira fala a partir da experiência de quem administrou Aracaju por quatro mandatos. Seu argumento é fácil de entender: os problemas aparecem primeiro na porta da prefeitura, enquanto boa parte das decisões sobre dinheiro é tomada longe dali. Ao defender mais recursos para os municípios, toca numa necessidade real. Agora precisa mostrar como seria sua proposta, quanto custaria e de que modo beneficiaria também as cidades do interior. Nas redes, aponta oportunidades em petróleo, gás e fertilizantes. A experiência na capital lhe dá conhecimento sobre a máquina pública, mas também põe seu histórico inteiro sob exame. O eleitor tem o direito de perguntar o que funcionou em Aracaju, o que ficou pendente e o que Edvaldo faria de diferente no Senado.  

Rogério Carvalho já ocupa uma das cadeiras em disputa. É médico, tem trajetória na saúde pública e acesso ao governo federal. Essas são vantagens políticas reais; por isso mesmo, a cobrança sobre ele deve ser maior. Ao apresentar cifras de emendas e recursos destinados a Sergipe, precisa permitir que o cidadão acompanhe o caminho do dinheiro até o atendimento, o equipamento ou a obra. Rogério também terá de explicar ao eleitor como suas alianças estaduais se traduzem em compromissos duradouros. Em campanha, adversários dividem palanque, aliados disputam votos e todos prometem defender Sergipe. Depois da eleição, quem aguarda uma cirurgia continuará esperando que alguém cumpra a promessa.

Rodrigo Valadares chega com a linguagem do confronto e uma ligação clara com o eleitor conservador. Não foge de embates e usa as redes para marcar posição, inclusive contra outros candidatos ao Senado. Essa disposição pode ter valor quando é usada para cobrar explicações; perde força quando a disputa vira apenas uma sucessão de provocações. Rodrigo precisa mostrar como suas bandeiras nacionais se convertem em um plano para os 75 municípios: de onde virão os empregos, como enfrentará a crise da água e que resultado suas emendas produziram. No debate da FM Sergipe, ele e Alessandro participaram e criticaram ausências. O episódio expõe uma cobrança válida a todos, inclusive aos preferidos deste editorial: quem pede uma cadeira no Senado precisa estar disposto a responder perguntas difíceis, em qualquer palanque.  

Há seis trajetórias e duas vagas. Alessandro oferece fiscalização; Edvaldo, experiência municipal; Rogério, um mandato e interlocução federal; Rodrigo, combatividade. Todos têm propostas a defender e contas a prestar. Já Eduardo Amorim e André Moura nasce daquilo que cada um pode acrescentar à representação de Sergipe: um conhece a urgência da saúde e chega com experiência parlamentar; o outro domina a articulação política necessária para tirar projetos do papel. Nenhum voto deve ser dado por uma frase de efeito, inclusive as deste texto. O voto deve cobrar dos escolhidos algo bem menos vistoso e muito mais difícil: que a mãe consiga a consulta, que a cidade receba água na torneira, a obra prometida e que Sergipe seja lembrado em Brasília também depois que as urnas fecharem.

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