A Copa acabou para o Brasil, e Sergipe acordou com aquele silêncio atravessado de segunda-feira triste. Não vai ter mais festa na Orla, não vai ter mais camisa amarela reunindo multidão, não vai ter mais ponto facultativo para assistir à Seleção. A vida voltou ao normal. O problema é que o normal, depois de uma eliminação dessas, parece ainda mais amargo.
A derrota para a Noruega não foi apenas um placar. Foi um choque de realidade. O Brasil entrou carregando cinco estrelas no peito, mas saiu carregando mais uma decepção nas costas. Enquanto Haaland resolveu para os noruegueses, a Seleção parecia esperar que a camisa jogasse sozinha. Não jogou.
O sergipano, que já preparava a mesa, o churrasco, a resenha e a desculpa para sair mais cedo do trabalho, ficou com o gosto seco da frustração. Acabou o telão, acabou o batuque, acabou a euforia. Agora é ônibus cedo, expediente normal, comércio aberto e conversa triste na padaria.
O problema é maior que um jogo. A CBF transformou a Seleção em laboratório de improviso, troca de técnico, disputa de bastidor e planejamento de última hora. Copa do Mundo não se ganha com remendo. Ganha se com projeto. E projeto, pelo visto, ficou fora da convocação.
No fim, o Brasil volta para casa antes da hora e o torcedor volta para a rotina. Sem festa, sem folga e sem hexa. Resta ao sergipano guardar a camisa no armário, respirar fundo e encarar a vida real. Porque, quando a bola não entra, quem paga a conta da tristeza é sempre o povo.




