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Semana do Senado: duas cadeiras, onze egos e uma esposa na suplência

A corrida pelo Senado em Sergipe teve uma semana de muita sola de sapato e pouca cadeira disponível: são 11 candidatos para duas vagas. André Moura acumulou apoios e estrada; Eduardo Amorim apostou na experiência; André David viu a suplência da esposa roubar a manchete; Rogério levou a máquina ao Sertão; Alessandro trabalhou Socorro; Edvaldo começou a sair de Aracaju; Rodrigo recebeu o abraço de Bolsonaro; Coronel Rocha tenta aparecer na dobradinha; e os demais ainda brigam por espaço. A campanha mal começou e já tem candidato correndo atrás de voto, prefeito, padrinho e explicação.

André Moura resolveu fazer política do jeito antigo, aquele método quase revolucionário em tempos de Instagram: encontrar gente. Rodou municípios, reuniu lideranças, apareceu com prefeitos e realizou encontro feminino com caravanas de mais de 60 municípios. Na Real Time Big Data apareceu com 14%. Pode-se discutir André politicamente à vontade, mas negar sua capacidade de articulação seria como entrar numa churrascaria e reclamar da existência de carne. Ele conhece o balcão, o açougueiro e provavelmente sabe quem criou o boi.

Eduardo Amorim apareceu com 13%, sem precisar descobrir agora onde fica Brasília. Já foi senador, deputado federal e secretário da Saúde. Enquanto muita candidatura precisa gastar metade do santinho apresentando currículo, Eduardo pode economizar papel. Também permaneceu ao lado de Valmir de Francisquinho durante a turbulência jurídica da candidatura ao Governo. Quando a cozinha começou a soltar fumaça, não correu imediatamente para perguntar onde ficava a saída de emergência. Há ainda alguma indefinição pública envolvendo sua suplência, portanto convém deixar a placa do gabinete na gráfica por enquanto.

André David parece ter olhado para os 17% da pesquisa e enxergado não uma fotografia do momento, mas a escritura definitiva de uma cadeira no Senado. A 55 dias da eleição, escolheu a própria esposa, Rebeka Maia, como primeira suplente, numa demonstração de confiança que beira a presunção: o eleitor ainda nem votou e a família já parece organizar a mudança para Brasília. Legal? Pode ser. Politicamente elegante? Nem de longe. Sergipe tem lideranças, quadros políticos e gente qualificada de sobra, mas a busca pela primeira suplência curiosamente terminou dentro de casa. E pesquisa eleitoral tem memória curta e crueldade longa: Danielle Garcia é um lembrete recente de como fotografia de campanha não deve ser confundida com resultado de urna. Antes de distribuir cadeiras como lugares marcados no almoço de domingo, André David faria bem em esperar 4 de outubro. Porque mandato não é patrimônio familiar, pesquisa não é diploma e o Senado, até segunda ordem, ainda pertence ao voto do sergipano, não à árvore genealógica de candidato.

Rogério Carvalho, com 9%, foi ao Sertão, participou da Festa Amigos do Leite e mostrou que candidato ao Senado precisa conhecer Constituição e curral. Tem mandato, PT, proximidade com Lula e integração ao grupo governista. O desafio é fazer o condomínio inteiro votar no mesmo apartamento. Alessandro Vieira também apareceu com 9% e trabalhou Nossa Senhora do Socorro. Em 2018 chegou embalado pelo discurso da renovação. Oito anos depois, precisa vender renovação sendo ele próprio o senador. É como lançar a versão nova de um aplicativo sem mudar o ícone.

Edvaldo Nogueira, com 8%, começou a fazer a grande descoberta geográfica de sua campanha: Sergipe continua depois da ponte. Quatro vezes prefeito de Aracaju, precisa transformar capital político municipal em voto estadual. Rodrigo Valadares aparece melhor colocado, com 12%, recebeu apoio de Flávio Bolsonaro e tenta concentrar o eleitorado bolsonarista. Só precisa tomar cuidado para sua campanha ao Senado não ficar tão grande que Ricardo Marques, candidato do próprio PL ao Governo, acabe aparecendo como aquele primo cortado da fotografia de Natal. Coronel Rocha, com 6%, enfrenta desafio parecido: provar que uma dobradinha possui realmente duas pessoas.

Iran Barbosa aparece com 1% e entra com currículo, coerência ideológica e uma estrutura eleitoral bem menor que a dos pesos-pesados. É o convidado que chega ao churrasco com salada enquanto os outros descarregam o boi. Renatinha e Paulinho da União Tur chegam ainda mais atrás na corrida pelo conhecimento público. Seus adversários discutem rejeição; eles ainda precisam conquistar reconhecimento. Política é cruel até na ordem dos problemas. Primeiro o eleitor precisa saber quem você é. Só depois decide se não gosta de você.

O retrato desses oito dias, portanto, não é exatamente uma disputa de ideias sobre federalismo, reforma tributária ou pacto federativo. É uma mistura muito mais sergipana de prefeito, pesquisa, suplente, casamento, apoio nacional, fotografia e sola de sapato. André Moura mostra musculatura. Eduardo Amorim mostra experiência. André David mostra percentual e acaba explicando parentesco. Rodrigo busca Bolsonaro. Rogério busca interior. Alessandro busca renovação da renovação. Edvaldo busca CEP fora de Aracaju. E os demais buscam o eleitor.

Faltam muitos capítulos, mas uma coisa a campanha já ensinou: para duas cadeiras, Sergipe conseguiu produzir candidatos suficientes para mobiliar uma sala inteira. E, como sempre acontece na política, alguns estão correndo atrás do voto, outros atrás do prefeito e há quem tenha descoberto que o maior adversário de uma boa semana pode ser uma decisão tomada dentro da própria chapa. Até outubro haverá muita sola de sapato. E, pelo visto, algumas saias continuarão justíssimas.

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