Sergipe entrou oficialmente naquela época do ano em que todo mundo começa a tossir em coro e o cidadão já não sabe mais se está gripado, apaixonado ou apenas pagando karma atrasado. O problema é que, desta vez, não é exagero de grupo de família nem drama de quem tomou chuva e culpou o universo. Os números são reais e preocupantes: as internações por gripe no Brasil cresceram 92,9% em 2026, e Sergipe aparece entre os Estados com aumento na circulação do vírus influenza, segundo a Fiocruz e os boletins de saúde pública. Aqui, a gripe deixou de ser “uma virosezinha” e começou a bater na porta dos hospitais com CPF e vontade de ficar.
A Secretaria de Estado da Saúde já acendeu o alerta e iniciou a campanha de vacinação contra a influenza desde 28 de março, com mobilização em todos os 75 municípios e meta de imunizar pelo menos 90% do público prioritário. Idosos, crianças, gestantes, pessoas com comorbidades e profissionais da saúde precisam correr para o posto antes que a gripe corra até eles. Sergipe já recebeu 180 mil doses e a campanha segue até 30 de maio. Em português claro: a vacina está lá, gratuita, esperando mais do que muito ex arrependido. O problema é que ainda tem gente tratando vacina como convite de casamento: “depois eu vejo”.
E a realidade está dando tapa sem anestesia. Em Aracaju, houve aumento expressivo nos casos graves de síndrome respiratória, com alta de 103% nas hospitalizações no primeiro trimestre, segundo dados da própria rede municipal. Hospitais já se preparam para o aumento da demanda, porque gripe mal cuidada deixa de ser espirro e vira internação. E gripe não escolhe classe social. Ela entra no condomínio de luxo e na casa simples com a mesma educação: nenhuma. O adolescente de 13 anos que morreu por complicações da influenza em São Paulo sem ter comorbidades virou símbolo doloroso de uma verdade simples: subestimar gripe é um esporte perigoso.
Então fica aqui o recado ao povo sergipano, com carinho e um pouco de bronca afetiva: procure o posto de saúde, tome sua vacina e pare de achar que “isso nunca acontece comigo”. Acontece, e às vezes acontece rápido demais. Use máscara se estiver com sintomas, lave as mãos, evite aglomeração quando estiver doente e, principalmente, não transforme a sala de espera do hospital em programa de passeio de fim de semana. Sergipe já tem problema demais com água, política e boleto. Não precisa transformar a gripe em hobby coletivo. Vacinar-se hoje é muito mais elegante do que explicar amanhã por que foi parar no hospital dizendo que era só um resfriadinho.




