A chuva caiu forte em Aracaju, mas quando o assunto é Flamengo, meu amigo, sergipano não cancela programa, apenas troca o guarda-chuva pela resenha. A Orla da Atalaia virou um verdadeiro Maracanã com sotaque nordestino. Bares lotados, mesas disputadas no grito e aquele clássico cenário de rubro-negros de todos os tipos tentando provar que o seu rubro-negro era o mais legítimo da noite. De um lado, flamenguistas confiantes. Do outro, baianos do Vitória jurando que a zebra viria de Salvador antecipada.
O Pastel Sol parecia final de campeonato. O bar enfrentou o tradicional clima de clássico regional com torcida, provocação e garçom correndo mais que ponta em contra-ataque. Já o famoso bar do Cabeça, ali na Atalaia, reuniu uma verdadeira convenção diplomática entre sergipanos, baianos e flamenguistas profissionais de mesa de bar. Tinha gente que nem sabia a escalação, mas sabia exatamente onde reclamar do juiz e onde pedir mais uma cerveja.
Dentro de campo, o Flamengo fez o dever de casa e venceu o Vitória por 2 a 1 no Maracanã, com gols de Evertton Araújo e Pedro, levando vantagem para Salvador. O Vitória ainda tentou estragar a festa com Erick diminuindo e dando aquele susto típico de torcedor que já conhece o roteiro do sofrimento. Mas no fim, Pedro resolveu lembrar que decisão gosta mesmo é de camisa pesada e deixou o rubro-negro carioca sorrindo e o rubro-negro baiano prometendo revanche no jogo de volta.
E no encerramento da noite veio a melhor parte, a confraternização. Porque no fim das contas, entre o vermelho e o preto, todo mundo se entende. Baianos e flamenguistas se abraçaram, riram, provocaram e seguiram juntos como bons rubro-negros que são. Uns comemorando a vitória, outros vendendo esperança para Salvador. E Sergipe assistindo tudo como sempre faz melhor: com humor, cerveja gelada e a certeza de que futebol bom não termina no apito final, termina na mesa do bar e no abraço de Marquinhos do Pastel Sol e Cabeça do Bar do Cabeça.




