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Sergipe repete a dose: Rogério e Alessandro voltam ao Senado pela porta da frente

A política sergipana decidiu neste domingo fazer algo que, em tempos de eleitor impaciente e urna sem memória afetiva, não é exatamente trivial: devolver ao Senado os mesmos dois nomes escolhidos oito anos atrás. Rogério Carvalho e Alessandro Vieira atravessaram campanhas, crises, mudanças de alianças, disputas internas, embates nacionais e aquela tradicional temporada eleitoral em que todo mundo jura que está crescendo nas pesquisas, até a urna resolver acabar com a conversa. No fim, Rogério terminou na primeira colocação e Alessandro garantiu a segunda vaga. Dois senadores reconduzidos pelo mesmo estado, no mesmo pleito, depois de oito anos de mandato. Num país em que político às vezes troca de partido mais rápido do que eleitor troca de canal, sobreviver oito anos e voltar para mais oito é, no mínimo, um fato político que merece registro.

Rogério Carvalho volta ao Senado com uma votação maior do que aquela que o levou a Brasília em 2018. Foram 511.142 votos em 2026, contra 300.247 oito anos antes. A urna mostrou que, concorde-se ou não com sua trajetória política, Rogério conseguiu ampliar sua base eleitoral de maneira considerável. Médico, ex-secretário de Saúde, ex-deputado estadual, ex-deputado federal, candidato a governador e senador, ele percorreu praticamente todo o cardápio da política sergipana. Faltou talvez vender pastel na feira de Itabaiana, porque de resto já passou por quase todas as estações. Sua atuação no Senado esteve especialmente ligada à saúde pública, à agenda social e, nos últimos anos, a debates nacionais de grande peso, como segurança pública. Agora recebe do eleitor mais oito anos para mostrar se experiência acumulada vira resultado acumulado.

Alessandro Vieira protagonizou outro tipo de vitória. Em 2018, apareceu como fenômeno eleitoral, saindo praticamente direto da Polícia Civil para o topo da votação ao Senado, com 474.449 votos. Oito anos depois, voltou às urnas numa situação diferente, com maior desgaste natural de quem já exerceu mandato e com uma disputa muito mais pulverizada. Terminou com 399.775 votos e assegurou a segunda cadeira. Não repetiu a votação explosiva da estreia, mas conseguiu aquilo que importa numa eleição: votos suficientes para continuar no cargo. Alessandro atravessou Rede, Cidadania, PSDB e chegou ao MDB, percurso partidário que daria quilômetros suficientes para um programa de milhagem política. Mesmo assim, preservou força eleitoral bastante para permanecer em Brasília.

Os dois também carregam currículos legislativos que ajudam a explicar por que chegaram competitivos à reeleição. Rogério consolidou atuação em saúde e políticas públicas, participou de debates nacionais e assumiu posições de liderança partidária e governista. Alessandro teve exposição importante em temas ligados a segurança pública, combate ao crime organizado, transparência, internet e auxílio emergencial, além de ter ocupado relatorias de peso. É evidente que nenhum mandato de oito anos é uma coleção de troféus sem poeira. Há projetos que avançaram, outros que ficaram parados, promessas que envelheceram nas gavetas do Congresso e propostas que ainda aguardam desfecho. Mas a urna não distribui certificado de perfeição. Distribui mandato. E, neste domingo, os dois receberam novamente essa autorização popular.

O aspecto politicamente mais curioso é justamente a repetição da dupla. Em 2018, Alessandro terminou na frente e Rogério ficou em segundo. Em 2026, as posições se inverteram: Rogério assumiu a dianteira e Alessandro ficou com a segunda vaga. Parece até campeonato de pontos corridos: um ganhou a primeira temporada, o outro levou a revanche, e os dois continuarão dividindo o vestiário chamado Senado Federal. A diferença é que agora chegam a Brasília muito mais conhecidos, mais testados e também muito mais cobrados. Não existe mais a desculpa do primeiro mandato, da adaptação ao Congresso ou do desconhecimento dos corredores. Depois de oito anos, eles já sabem onde ficam o Plenário, as comissões, os elevadores e, principalmente, onde ficam as gavetas em que projetos podem dormir por anos.

A vitória, portanto, merece parabéns aos dois e também uma leitura maior sobre o comportamento do eleitor sergipano. Sergipe decidiu renovar a confiança em dois parlamentares com perfis bastante diferentes, trajetórias distintas e campos políticos igualmente diferentes. Isso dá à representação estadual no Senado uma combinação interessante de continuidade e experiência. Rogério Carvalho e Alessandro Vieira agora têm diante de si mais oito anos e uma cobrança proporcional ao tamanho da renovação recebida nas urnas. O eleitor fez a parte dele, apertou os números, confirmou e foi embora para casa. A partir de fevereiro, começa a parte dos dois: transformar a vitória de 2026 em resultados que, quando chegar 2034, possam ser contados com tanta facilidade quanto hoje se contam os votos.

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