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Stênio Gonçalves Andrade, o homem que imprimiu sonhos e acreditou na juventude

Hoje eu escrevo com o coração apertado. Não escrevo apenas como jornalista e advogado. Escrevo como alguém que teve a felicidade de cruzar o caminho de Stênio Gonçalves Andrade e conhecer, de perto, a grandeza humana de um homem que ajudou muita gente sem fazer alarde.

Stênio não foi apenas o fundador da tradicional Gráfica J. Andrade. Para mim, ele foi um amigo, um incentivador e, muitas vezes, alguém que acreditou nos meus projetos quando eles ainda não tinham dinheiro, estrutura ou garantia alguma. Foi lá, com ele, que imprimi pelo menos uns dez jornais Onda Jovem, numa época em que a vontade era enorme, mas o bolso nem sempre acompanhava o sonho.

E eu nunca esqueço disso. Muitas vezes eu chegava à gráfica sem saber exatamente como iria pagar. Levava o jornal, levava a ideia, levava aquela ansiedade de quem queria fazer comunicação, falar com a juventude, colocar um projeto na rua. E Stênio, com aquele jeito simples, generoso e paternal, dizia: “Deixa aqui, Faustinho, que eu vou imprimir. Não se preocupe, meu filho. Eu sei a importância desse jornal para a juventude.”

Aquilo não era apenas um favor. Era um gesto de confiança. Era alguém olhando para um projeto jovem e dizendo, sem discurso bonito, que ele merecia existir. Stênio entendia que uma gráfica não imprimia apenas papel. Imprimia sonhos, oportunidades, vozes, ideias e caminhos. O Onda Jovem passou pelas mãos dele, pelas máquinas dele e, sobretudo, pela sensibilidade dele.

Homem como Stênio não se mede apenas pelo tamanho da empresa que construiu. Mede-se pela quantidade de pessoas que ajudou a levantar. Pela palavra dada. Pelo atendimento correto. Pela forma respeitosa de tratar quem chegava. Pela capacidade de enxergar valor onde muitos só enxergariam risco. Ele poderia ter dito não. Poderia ter cobrado antes. Poderia ter fechado a porta. Mas preferiu acreditar.

E é por isso que sua partida dói tanto. Porque Sergipe não perde apenas um grande empresário. Perde um homem de bem, um homem generoso, um homem autêntico, um homem que sabia tratar as pessoas com respeito e humanidade. Eu perco também uma referência afetiva da minha própria caminhada na comunicação.

A história de Stênio está na Gráfica J. Andrade, está no setor empresarial sergipano, está nas empresas que ele ajudou a construir com seus serviços. Mas também está em cada jornal, cada livro, cada projeto e cada sonho que ele colocou no mundo quando alguém ainda estava começando.

Hoje, ao me despedir, só posso dizer obrigado. Obrigado por ter acreditado em mim. Obrigado por ter acreditado no Onda Jovem. Obrigado por ter entendido a importância daquele jornal para a juventude. Obrigado por cada impressão, cada gesto, cada palavra e cada demonstração de confiança.

Que Deus conforte sua família, seus amigos, colaboradores e todos que tiveram o privilégio de conviver com você. Stênio deixa uma empresa, uma história e um legado. Mas, acima de tudo, deixa saudade. E a saudade dos homens bons é diferente: ela dói, mas também ilumina.

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