Itabaiana viveu no domingo uma daquelas cenas que a política sergipana guarda na memória. A cidade ficou azul. Azul nas bandeiras, nos balões, nas camisas, nos adereços, nos carros, nas calçadas e, principalmente, na fotografia de uma multidão que ocupou as ruas para acompanhar Valmir de Francisquinho. A campanha chamou o ato de Onda Azul e, desta vez, o nome parecia pequeno para o que as imagens mostravam. Parecia maré cheia. Parecia que alguém tinha virado um balde de tinta azul sobre Itabaiana. A organização falou no maior volume de público da eleição até aqui, mas não apresentou contagem independente. O que se pode afirmar sem exagero é que o ato reuniu milhares de pessoas e produziu uma das imagens mais impressionantes desta reta final.
Para quem acompanhou a Onda Azul, o domingo já entrou para a memória política de Itabaiana como um dos momentos mais grandiosos já vistos nas ruas da cidade. A organização e os apoiadores trataram o ato como o maior movimento político da história do município, e as imagens ajudam a entender de onde vem essa percepção: ruas tomadas, bandeiras por todos os lados, gente cantando, dançando, chorando e acompanhando Valmir de Francisquinho em meio a uma verdadeira maré azul. Não era apenas quantidade, era atmosfera. Era a sensação de que Itabaiana inteira havia decidido sair de casa para participar de um acontecimento político que dificilmente será esquecido. Valmir resumiu o sentimento de sua campanha ao dizer que “a própria população fala pela sua presença”, e naquele cenário a frase ganhou força, porque o que se viu foi uma demonstração gigantesca de mobilização popular, capaz de transformar um domingo de campanha em um capítulo marcante da história política de Itabaiana.
E aí está a força simbólica daquele domingo. Valmir não estava desembarcando em uma cidade escolhida pelo marketing. Ele estava andando no território onde construiu sua trajetória política, onde foi eleito prefeito três vezes e onde seu nome está presente há décadas na disputa municipal. Em meio à Onda Azul, ele afirmou que a força que o elegeu três vezes prefeito seria a mesma que agora “pede passagem em Sergipe”. Essa é uma interpretação política dele, não uma previsão eleitoral, mas ajuda a explicar o clima. Itabaiana funcionou como vitrine de uma relação antiga entre candidato e base eleitoral. Enquanto em outros lugares campanha precisa pedir licença para entrar, ali a impressão transmitida pelo ato era a de alguém caminhando dentro de casa.
Ao redor de Valmir havia ainda um conjunto de aliados que aumentou o peso político e simbólico da Onda Azul. Emília Corrêa deixou Aracaju para participar da mobilização em Itabaiana e se somou a nomes como Priscila Felizola, Eduardo Amorim, André David e Adaílton Souza Marcos Oliveira, Ícaro de Valmir além de outras lideranças da coligação. A presença desse grupo transformou o ato em algo maior do que uma manifestação local e ajudou a projetar para todo o Estado a imagem de uma candidatura cercada por apoios relevantes. Eduardo Amorim, que vinha percorrendo Sergipe ao lado de Valmir, já havia definido o grupo como experiente, disposto a trabalhar e atento aos problemas ouvidos diretamente da população durante a pré-campanha. No domingo, porém, mais do que qualquer discurso, foi a composição daquela fotografia, com lideranças de diferentes regiões reunidas no meio de uma multidão vestida de azul, que reforçou a dimensão política do evento.
Houve ainda algo curioso no formato. Quem esperava a velha política do palanque, com meia dúzia falando durante duas horas e a população procurando a sombra mais próxima, encontrou outra coisa. Segundo a cobertura do evento, não houve discurso tradicional no palco. A estratégia foi deixar o próprio movimento das ruas produzir a mensagem. Música, slogans, bandeiras e gente caminhando ocuparam o espaço que normalmente seria do microfone. Foi quase uma inversão de papéis. O candidato falou menos e as imagens falaram mais. Em época de rede social, talvez seja essa a nova versão do comício. O político economiza a garganta e deixa o celular do eleitor trabalhar até de madrugada.
No fim, talvez o mais importante daquele domingo nem seja descobrir se havia oito, dez, vinte ou cinquenta mil pessoas. Número nenhum consegue traduzir completamente o que as imagens mostraram. Itabaiana viveu uma tarde em que a política ganhou cor, som e emoção. Havia crianças nos ombros dos pais, famílias inteiras acompanhando o cortejo, gente cantando, acenando, chorando, erguendo bandeiras e tentando guardar no celular um momento que parecia maior do que uma simples agenda de campanha. Valmir demonstrou uma capacidade expressiva de mobilização no Agreste e transformou Itabaiana numa das principais vitrines de sua candidatura estadual. A cidade ficou azul, mas, para quem estava ali, não foi apenas uma cor que tomou as ruas. Foi a sensação de pertencimento, de lembrança, de história sendo escrita diante dos olhos. Eleição se decide na urna, é verdade, e fotografia não substitui voto. Mas existem imagens que atravessam uma campanha e permanecem na memória. A Onda Azul produziu uma delas. Naquele domingo, Itabaiana não apenas viu o azul passar. Itabaiana vestiu o azul, caminhou com ele e fez da rua um dos cenários políticos mais marcantes desta reta final.




