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UP em Sergipe: quatro candidatos, muita militância e uma conta que nem brincadeira de criança resolve

A Unidade Popular entrou na eleição de Sergipe com quatro candidatos: Bruna Makida e Mateus Henriques para deputado federal; Rose do MLB e Giovanni Oliveira para deputado estadual. É uma chapa equilibrada entre homens e mulheres, ideologicamente coerente e eleitoralmente parecida com brincadeira de criança: quatro participantes, duas cadeiras imaginárias e todo mundo acreditando que basta dizer “agora eu sou deputado”.

Bruna representa o movimento estudantil, a universidade e a luta por moradia. Mateus traz experiência em entidades estudantis e organização partidária, embora sua trajetória esteja muito mais ligada à Paraíba do que a Sergipe. Rose do MLB levanta a bandeira das ocupações e da moradia popular, enquanto Giovanni conversa com a juventude universitária. São candidaturas com causas legítimas, mas sem mandato, votação anterior ou estrutura eleitoral comprovada. Há muita militância, muita assembleia e muita palavra de ordem. Voto conhecido, até agora, apareceu menos que recreio em dia de prova.

Na disputa federal, a situação é praticamente impossível. Em 2022, a UP somou apenas 2.156 votos, diante de um quociente eleitoral de aproximadamente 140.637 votos. Para alcançar uma cadeira por desempenho semelhante, precisaria multiplicar sua votação cerca de 65 vezes. Bruna e Mateus teriam de sair de uma base militante pequena para uma média superior a 70 mil votos cada. Isso não é crescimento eleitoral. É pedir que a bicicleta da ocupação ultrapasse um foguete antes da chegada. As regras proporcionais de 2026 ainda consideram, em uma das etapas das sobras, os patamares de 80% do quociente para o partido e 20% para a candidatura.

Na eleição estadual, a brincadeira fica ainda mais infantil. A UP recebeu somente 288 votos em 2022, enquanto o quociente estadual ficou perto de 50.684 votos. A legenda precisaria multiplicar o resultado aproximadamente 176 vezes. Rose e Giovanni podem divulgar pautas, formar militantes e ocupar o debate público, mas falar em eleição para a Assembleia, neste momento, é como colocar quatro crianças numa caixa de papelão, desenhar rodas e anunciar que o ônibus está partindo para Brasília. Juridicamente, a candidatura existe. Matematicamente, há uma possibilidade remota nas sobras. Politicamente, porém, a chapa não vai a lugar eleitoralmente relevante: deve terminar com quatro agradecimentos pela caminhada, algumas fotografias e uma reunião para explicar que o verdadeiro objetivo sempre foi “construir o partido”.

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