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Vini: entre o racismo real e a vitimização permanente

O futebol não é palco de vaidade, é teste de caráter. No caso de Vinícius Júnior, duas verdades precisam caminhar juntas. Racismo é crime, é inaceitável, é atraso moral e deve ser punido com rigor absoluto, isso é ponto pacífico. O que não é pacífico é a postura de quem, sendo talento geracional, insiste em transformar cada jogo em embate pessoal. Futebol é tensão, é provocação natural, mas não é guerra particular contra todo mundo ao mesmo tempo. 

Vinícius é extraordinário tecnicamente, decide jogos grandes, acelera como poucos, desequilibra defesas, mas há momentos em que parece mais interessado em vencer o adversário no grito do que na bola. Cada comemoração vira recado, cada gesto vira cutucada, cada gol vira desfile diante da arquibancada rival. Ele não apenas vibra, ele confronta. E confronto repetido gera rejeição.

Isso não legitima racismo, nunca legitimará. Mas também não se pode fingir que comportamento não inflama ambiente. Quando o jogador provoca lateralmente, ironiza quem devolve a bola com respeito, gesticula para juiz, responde à arquibancada e chama o jogo para o campo da afronta, ele se coloca no centro da tempestade. Depois, quando a tempestade vem, o discurso se desequilibra porque mistura agressão real com tensão criada. 

Grandes nomes brasileiros negros jogaram na Europa sob pressão brutal e responderam de forma diferente. Ronaldinho Gaúcho transformava perseguição em espetáculo técnico. Daniel Alves respondeu a insulto racista com ironia inteligente e personalidade firme quando comeu a banana arremessada da arquibancada. Ronaldo Fenômeno foi espancado em campo e respondeu com gols históricos. Pelé enfrentou décadas infinitamente mais hostis e respondeu com grandeza. Nenhum deles precisou alimentar conflito permanente para afirmar dignidade.

Existe diferença entre alegria e deboche. Celebrar é dividir mérito com os seus, afrontar é mirar a comemoração na cara do rival. Quando Vinícius dança encarando a torcida adversária, aponta, provoca e estica o gesto além do limite do respeito, ele ultrapassa a linha da vibração e entra na zona da provocação calculada, e isso cobra preço. 

Outro ponto que precisa ser dito com franqueza é a vitimização excessiva. Racismo deve ser denunciado sempre, com coragem, mas transformar cada tensão de jogo em narrativa de perseguição permanente enfraquece o próprio discurso quando o caso é sério. Força moral exige coerência emocional. Se tudo vira drama, nada mantém a mesma gravidade.

Grande jogador não é só o que decide partida, é o que domina o próprio ego. Liderança exige autocontrole. Personalidade forte não é quem grita mais alto, é quem mantém equilíbrio quando todos estão gritando. O futebol é confronto duro, mas também é convivência. Quem quer ser símbolo precisa agir como símbolo. 

Vinícius tem talento para ser o maior do mundo de forma incontestável, mas para isso precisa amadurecer urgentemente, reduzir provocações desnecessárias, respeitar adversários, técnicos e imprensa, controlar impulsos e parar de transformar cada partida em duelo pessoal de vitimização contra o universo. Racismo se combate com firmeza, mas a resposta definitiva continua sendo futebol, caráter e grandeza. Se alinhar genialidade com maturidade, será lenda. Se continuar alimentando conflito, seguirá dividindo plateia quando poderia estar unificando admiração.

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