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Depois do confete, vem a fatura política

O Carnaval passou. Passou o brilho, passou o trio, passou o discurso animado de ocasião. Hoje, quita-feira, o que ficou foi um silêncio ensurdecedor entre o governador, André Moura e Alessandro Vieira. Enquanto o governador apareceu em agendas festivas com discrição estratégica, André fez o movimento mais barulhento de todos sem sair de casa. Mostrou o quarto do neto José, almoçou em família, caminhou com o filho e o cachorro no condomínio. Em política, às vezes, ficar em casa é um gesto mais eloquente do que subir em palco. Ele não estava ausente. Estava sinalizando.

Quando André afirmou que seu grupamento não permanece no mesmo grupamento de Alessandro, não estava falando de vaga na chapa. Estava falando de estrutura. De 26 prefeitos. De vereadores na capital. De capilaridade eleitoral real. Quem tratou a fala como bravata não entendeu o peso da palavra grupamento. Política é soma organizada. Se houver rompimento, não será apenas simbólico. Será territorial. E território, em ano pré-eleitoral, vale mais que discurso inflamado.

Nos bastidores, um nome aparece com frequência nas equações. Milton Andrade. Figura de influência estratégica, protagonista nas articulações da concessão da DESO e reconhecido como um dos principais formuladores ligados a Alessandro Vieira. Milton não aparece no trio, mas circula nos corredores. Conversa com prefeitos. Reorganiza alinhamentos. Isso é política legítima. O problema é quando essa reorganização começa a redesenhar o equilíbrio interno da base governista. Aí não é apenas articulação. É disputa silenciosa por hegemonia.

O governador sabe que, se André sair, não sai sozinho. Sai com bloco estruturado. E bloco estruturado não se desmonta com nota oficial. Dos 26 prefeitos, comenta-se que ao menos 18 acompanhariam. Some vereadores. Some base municipal. Some musculatura eleitoral. A oposição observa tranquila. Valmir, Edvan, Emília e outros aguardam o momento certo. Se André for empurrado para fora, pode ser recebido de braços abertos. E aí o que hoje é incômodo vira ameaça concreta.

O mais interessante é que André não elevou o tom. Não fez espetáculo. Apenas delimitou posição com serenidade. Em política, o silêncio estratégico costuma ser mais perigoso do que o discurso ruidoso. O Carnaval acabou. Mas o verdadeiro desfile, o dos campeões, começa agora. O governador precisa decidir se administra o conflito ou permite que ele cresça. Alessandro precisa entender se soma ou divide. E André já mostrou que, mesmo fora do trio, tem bateria própria. Na política, quem perde o compasso não enfrenta jurado. Enfrenta urna.

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