1Os moradores de Nossa Senhora do Socorro vivem hoje uma realidade que mistura indignação e perplexidade. Em meio à crise nos serviços públicos, à desorganização administrativa e à ausência de ações concretas da Prefeitura, vieram à tona novas denúncias que escancaram a face de um governo que parece existir apenas para beneficiar seus aliados mais próximos. Desta vez, o absurdo veio diretamente do portal da transparência: funcionários da Prefeitura com gratificações de até 1.100%, fazendo com que salários-base de R$ 3.000 cheguem a R$ 36.000 mensais. Sim, você leu certo, trinta e seis mil reais pagos com dinheiro público, enquanto a cidade clama por serviços básicos e dignidade.
As denúncias, feitas pelos vereadores Panzuá e Charlys de Gel, foram levadas ao Ministério Público, que agora tem em mãos mais uma prova da gestão desastrosa comandada pelo prefeito Samuel Carvalho. Segundo Charlys de Gel, trata-se de um verdadeiro tapa na cara do povo socorrense, especialmente daqueles que pagam seus impostos em dia. Panzuá foi direto: essas gratificações são não apenas ilegais, mas também imorais. E é exatamente isso que mais revolta: a imoralidade travestida de burocracia, o desvio de finalidade institucionalizado por decreto informal, a farra com o dinheiro do povo, enquanto a gestão alega que “a máquina está quebrada”.
Se a máquina pública está quebrada, como insiste o prefeito, por que ela funciona tão bem para distribuir benesses aos apadrinhados políticos? Por que não há dinheiro para investir em saúde, educação e infraestrutura, mas há orçamento para multiplicar por dez ou doze vezes o salário de servidores seletos? A resposta, infelizmente, está na velha política do toma-lá-dá-cá, que transforma a estrutura pública em cabide de emprego, e a folha de pagamento em ferramenta de controle político.
Mas o caos administrativo não para por aí. Mesmo com mais de nove meses de mandato, a gestão Samuel não conseguiu regularizar sequer as certidões da Prefeitura. Vive atolada em contratos emergenciais, sem planejamento, sem licitações transparentes e com um histórico constrangedor de problemas na coleta de lixo. O lixo não entra, a limpeza não acontece, a cidade afunda em abandono enquanto o gabinete do prefeito opera em silêncio.
Diante dessa paralisia, quem realmente governa Nossa Senhora do Socorro é o Estado. É o governador Fábio Mitidieri quem anuncia e executa as obras que estão acontecendo no município. Guajará, Piabeta, Marcos Freire, todas as intervenções vêm do governo estadual. E o que era para ser uma cooperação virou substituição. O povo já reconhece nas ruas o que a administração tenta esconder: hoje, o prefeito de Socorro é Fábio Mitidieri. Palmas para o governador que, ao menos, entrega o que promete. E vaias para uma gestão municipal que se esconde atrás de discursos vazios e escândalos mal explicados.
Não se governa um município com gratificações indecentes, com maquiagem contábil, com desculpas técnicas. Socorro exige respeito, transparência e ação. O povo quer escolas funcionando, postos de saúde com médicos, ruas limpas, obras municipais de verdade. O povo quer dignidade. Mas o que tem recebido é cinismo.
A paciência do socorrense tem limite. Os vereadores Charles de Gel e Panzuá, cumprindo seu papel de fiscalizadores, levaram formalmente a denúncia ao Ministério Público, cobrando explicações e providências diante das gratificações escandalosas e da má gestão municipal. Agora, a população espera uma atuação mais efetiva do MP, que, ao que tudo indica, já está atento aos desmandos. Resta saber até quando a Justiça permitirá que a farra continue, enquanto a cidade agoniza. Porque a Socorro que se vê hoje não é a que o povo merece é a que um grupo restrito, em nome próprio, decidiu construir, com muito dinheiro público, poucas entregas e nenhuma vergonha.




