Lotese: o governo deve explicações!
O Governo de Sergipe criou a Lotese, vinculada ao Banese, mas ainda deve explicações sobre contratos, riscos e resultados. Com a restrição federal às apostas de quota fixa, cabe esclarecer quais jogos continuam autorizados. A loteria pode ser legal. Transformar suas contas em charada pública é que não pode.
A Betsul entrou numa parceria com compromissos superiores a R$ 20 milhões, embora tivesse capital social informado de R$ 1 mil. O contraste motivou questionamentos técnicos e investigação no Tribunal de Contas. Capital pequeno não prova irregularidade, mas obriga o Banese a exibir garantias e capacidade financeira. Para o contribuinte, confiança sem documentos é bilhete sem prêmio.
O contrato prevê parceria de 20 anos e participação privada de 49,9% na subsidiária. Solicitada sua íntegra, o Banese alegou sigilo comercial. Segredos empresariais podem ser protegidos; obrigações, riscos e controles de um negócio público não deveriam desaparecer sob esse rótulo. Publicidade institucional é fácil. Publicar condições contratuais exige compromisso real com a transparência.
A Lotese chegou a oferecer jogos on-line, inclusive o tigrinho, depois retirado. Agora o Estado precisa divulgar modalidades em operação, receitas, despesas, repasses e proteção aos apostadores. Anunciar benefícios sociais sem demonstrá-los é publicidade, não prestação de contas. E propaganda não paga a conta da fiscalização.
Fábio Mitidieri responde politicamente pelo projeto; os dirigentes do Banese, pelos atos de gestão. A apuração do Tribunal de Contas não é condenação, mas exige respostas: houve seleção regular, garantias adequadas e fiscalização efetiva? O governo não precisa antecipar defesa contra crimes não demonstrados. Precisa apresentar provas da boa administração que anuncia.
São cifras milionárias, duas décadas de compromisso e documentos parcialmente protegidos por sigilo. Se tudo está correto, a apresentação das informações não deveria ser um desafio. O Estado tem direito de operar loterias permitidas; a sociedade, de saber como funciona o negócio. Na Lotese, a sorte pode escolher o vencedor. Nas contas públicas, quem manda é a transparência.
Aquidabã no escuro. O Tribunal de Contas suspendeu uma licitação de R$ 3,84 milhões para modernizar a iluminação pública de Aquidabã após denúncia de possíveis irregularidades. A cautelar impede o avanço do pregão até nova decisão, sob risco de multa de R$ 100 mil. A cidade pretendia ganhar mais luz nas ruas, mas o primeiro clarão apareceu nos papéis da fiscalização. A pergunta agora é simples: o edital ilumina ou confunde?
Concurso na sala de espera. Capela entrou no radar do Tribunal de Contas por denúncia de contratações temporárias em 2025, apesar de candidatos aprovados em concurso ainda válido. A apuração foi formalizada, sem conclusão sobre irregularidades. Para quem estudou meses, fez prova e aguardou convocação, a espera já é longa o suficiente. O desafio da prefeitura será explicar se a necessidade era realmente temporária ou se o provisório resolveu criar raízes.

Eleição com candidato único. O Ministério Público de Sergipe marcou para segunda-feira, 19, a eleição de procurador-geral de Justiça para o biênio 2026 a 2028. Nilzir Soares Vieira Junior foi o único inscrito considerado apto. Depois da votação, a lista seguirá ao governador na forma da lei. A campanha interna tem suspense reduzido, mas a responsabilidade do cargo continua enorme. Independência institucional não se escolhe por aclamação: demonstra-se no exercício da função.
São José pede socorro financeiro. O Ministério Público inspecionou a unidade psiquiátrica do Hospital São José e anunciou audiência para discutir atrasos em repasses. Algumas adequações estruturais cobradas anteriormente foram identificadas, mas a questão financeira segue aberta. Hospital não paga profissionais com ata de reunião, nem mantém atendimento à base de discurso. A conta vence em data certa, e o paciente precisa do serviço funcionando todos os dias.
Feriado fez as malas. Emília Corrêa transferiu o ponto facultativo do Dia do Servidor Público de 28 para 30 de outubro, preservando o funcionamento dos serviços essenciais. A mudança, prevista em decreto municipal, aproxima o descanso do feriado de Finados, em 2 de novembro. Para parte do funcionalismo, o calendário ganhou um fim de semana prolongado. Para o cidadão, vale a lembrança: repartição pode descansar; serviço indispensável não.
Compra vira disputa política. Camilo Daniel afirmou que uma compra de R$ 69,99 feita na Riachuelo teria apresentado o diretório municipal do PL como destinatário do pagamento e disse que provocaria a Justiça Eleitoral. A empresa contestou a alegação e declarou que recebeu integralmente o valor, com documentação fiscal. Não há irregularidade comprovada. Em tempos de polarização, até uma compra modesta consegue virar discussão gigante. Antes de escolher lado, convém conferir o comprovante.
Aracaju já conversa com 2028. As análises políticas depois da eleição de 2026 colocaram Emília Corrêa, Delegada Katarina e Edvaldo Nogueira nas conversas sobre a futura disputa municipal. Isso não equivale a candidaturas formalizadas. O novo mandato estadual sequer começou, mas os bastidores já examinam alianças e possíveis palanques. O eleitor ainda organiza a ressaca de uma eleição, enquanto parte da classe política já procura a fantasia para a próxima.

Carmópolis muda o comando. Luísinho Guimarães, do MDB, foi eleito presidente da Câmara de Carmópolis para 2027 e 2028, com apoio de vereadores ligados a diferentes campos políticos, segundo o noticiário local. A presidência controla a pauta e conduz os trabalhos administrativos da Casa. O resultado mostra que alianças municipais nem sempre seguem a geometria das disputas eleitorais. Na política local, às vezes a situação e a oposição encontram a mesma cadeira.
Iguá na cobrança. Georgeo Passos cobrou providências da Iguá Saneamento sobre problemas relatados por moradores na estação elevada do bairro Veneza, em Aracaju. Segundo o deputado, a situação teria piorado desde a denúncia feita em setembro. A concessionária precisa apresentar esclarecimentos técnicos e, se for o caso, solução e prazo. O consumidor já paga a tarifa; não deveria receber como brinde uma assinatura permanente no setor de reclamações.
Três senadores, um voto. Alessandro Vieira, Laércio Oliveira e Rogério Carvalho votaram favoravelmente à proposta de mudança da escala 6×1, debatida no Senado nesta semana. A medida envolve jornada menor e mais descanso, mas sua aplicação depende do processo legislativo correspondente. Divergências partidárias ficaram de lado nessa votação. Em Brasília, três sergipanos concordando ao mesmo tempo ainda é uma notícia que dispensa efeitos especiais.

Saúde sob investigação. A Operação Dirus, conduzida pela Polícia Federal com participação de órgãos federais de controle, investiga suspeitas envolvendo contratos da saúde de Nossa Senhora do Socorro. Foram cumpridos 32 mandados em cinco estados, e o prejuízo apurado preliminarmente supera R$ 15,6 milhões. As suspeitas não equivalem a culpa comprovada. Dinheiro destinado a atender pacientes exige rastreabilidade do primeiro contrato ao último pagamento. Nesse assunto, a única mágica aceitável é a recuperação do atendimento.
Socorro espera respostas. A investigação federal sobre contratos da saúde em Nossa Senhora do Socorro alcança fatos de 2020 a 2026, incluindo serviços de unidade de pronto atendimento e estruturas utilizadas na pandemia. O período compreende mais de uma fase administrativa e exige individualização das responsabilidades. A pergunta que interessa à população não cabe em torcida partidária: quem contratou, como fiscalizou e para onde foi cada real?
Professor merece mais que flores. Ontem, dia do professor, a Prefeitura de Aracaju divulgou medidas que atribui à valorização do magistério, como recomposição salarial e ampliação do quadro docente. São anúncios que devem ser confrontados com execução, condições de trabalho e resultados de aprendizagem. Professor gosta de homenagem, naturalmente. Mas a homenagem que cabe no contracheque, na sala de aula e no planejamento pedagógico costuma durar bem mais que um buquê. Enquanto isso o Governo de Fábio Mitidieri continua em guerra com a classe.
OAB faz acordo com o boleto. A OAB Sergipe anunciou mutirão de negociação de anuidades entre 19 e 30 de outubro, com possibilidade de descontos sobre encargos e parcelamentos conforme as condições do programa. A medida pretende facilitar a regularização de profissionais com pendências. Advogados costumam conhecer todos os caminhos para discutir uma cobrança. Desta vez, a solução oferecida é mais simples: sentar, negociar e tentar encerrar a demanda sem audiência.
Eleitor tem segunda chance. A Justiça Eleitoral informou que quem faltou ao primeiro turno poderá votar normalmente no segundo, em 25 de outubro. A justificativa pela ausência em 4 de outubro poderá ser apresentada até 3 de dezembro pelos canais autorizados. Uma falta não cancela automaticamente o direito ao voto seguinte. A urna não guarda ressentimento; exige apenas que o eleitor esteja regular e apareça no dia certo.
Título e conta de luz. A Assembleia Legislativa registrou a concessão do Título de Cidadania Sergipana ao diretor-geral da agência federal reguladora do setor elétrico. Homenagens fazem parte da vida institucional, mas o consumidor mede o setor também pela qualidade do serviço e pelo peso da tarifa. A solenidade termina com aplausos. A fatura chega todo mês, pontual e sem pedir licença.
Escala 6×1 em transformação. A mudança da escala 6×1 avançou no Congresso e colocou empresas, trabalhadores e governo diante do desafio de reorganizar jornadas. Setores como saúde, transporte e segurança exigem regras específicas para manter os serviços. O descanso pode ganhar espaço, mas a implementação dependerá do texto legal aplicável e de ajustes concretos. O debate é sério: no Brasil, até para diminuir o número de dias trabalhados há muito trabalho pela frente.
MEI de olho no teto. O Senado aprovou proposta para elevar gradualmente o teto anual de faturamento do microempreendedor individual, de R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil em 2028, além de ampliar a possibilidade de contratação. O texto ainda depende dos passos finais para virar regra. Quem empreende sabe que crescer deveria ser boa notícia. O problema é quando o faturamento sobe e a burocracia tenta crescer junto.
Medicina terá nova prova. O Senado aprovou proposta que vincula o registro profissional médico ao desempenho mínimo em avaliação de formação, com regras voltadas a estudantes abrangidos pelo novo regime. A medida ainda depende da conclusão do processo legislativo. O objetivo anunciado é reforçar a qualidade da formação. Diploma, jaleco e fotografia de formatura são importantes para a família. Para o paciente, o conhecimento é um acessório menos dispensável.
PEC sai da pauta. Davi Alcolumbre retirou a PEC da Segurança Pública da pauta do Senado diante de divergências sobre o texto. A proposta discute competências, integração e estrutura para enfrentar a criminalidade. O adiamento abre espaço para negociações, mas também prolonga definições esperadas por gestores e forças de segurança. Parlamentares podem remarcar sessões; o crime organizado não costuma solicitar nova data ao cerimonial.
Linda exige explicações. Linda Brasil usou a tribuna da Assembleia para comentar a Operação Dirus, que investiga suspeitas em contratos da saúde de Nossa Senhora do Socorro. A deputada questionou o modelo de gestão por organizações sociais e pediu apuração rigorosa. O prejuízo mencionado na investigação é estimado, não condenação definitiva. É assunto para documentos, contraditório e fiscalização. Discurso pode levantar a questão; prova é o que precisa sustentar a conclusão.

Samuel aquece os motores. Eleito deputado federal com 66.342 votos, Capitão Samuel começou a fazer visitas institucionais e a discutir demandas de policiais antes da posse. Uma agenda divulgada na quinta-feira registrou encontro ocorrido na terça. O mandato ainda não começou, mas o futuro parlamentar já circula com a pauta de sua base. Em política, a posse tem data marcada; a disputa por espaço e relacionamento começa no dia seguinte à apuração.
Festival entra na tribuna. Paulo Júnior apresentou na Assembleia detalhes da 41ª edição do Festival de Artes de São Cristóvão, com investimento anunciado de R$ 9 milhões e 119 atrações. Segundo os números divulgados, R$ 3 milhões caberão ao Estado e R$ 6 milhões ao município. Cultura movimenta turismo e economia local, mas também exige transparência em contratos e gastos. Palco bem iluminado é bonito; prestação de contas clara merece o mesmo holofote.
Valmir segue no tabuleiro. Valmir de Francisquinho terminou a disputa pelo Governo de Sergipe com 459.908 votos, equivalentes a 37,48% dos válidos, e continua citado nas conversas sobre reorganização política e oposição. A derrota encerrou aquela candidatura, não a presença de seu nome nos debates partidários. Terminada a eleição, começa outra modalidade de campeonato: a das alianças. Nela, o placar é negociado longe da cabine de votação.




