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24 horas: Fábio abre a carteira, Valmir segura a pancada e os outros procuram assunto

As últimas 24 horas da eleição para o Governo de Sergipe tiveram menos palanque e mais cartório, tribunal e declaração de bens. Fábio Mitidieri apareceu mostrando patrimônio, Valmir de Francisquinho ganhou mais um capítulo jurídico e os outros quatro candidatos continuam naquela missão quase arqueológica de encontrar espaço entre os dois. A eleição possui seis nomes, mas o noticiário insiste em funcionar como elevador pequeno: Fábio e Valmir entram primeiro e os demais ficam apertando o botão para ver se a porta abre novamente.

Fábio declarou cerca de R$ 1,7 milhão em bens à Justiça Eleitoral e segue fazendo aquilo que governador candidato conhece de cor: anunciar, nomear, prometer, fotografar e transformar expediente administrativo em vitrine. Tem governo, estrutura, agenda e câmera sempre por perto. Até a futura universidade entrou no roteiro antes de possuir campus definitivo, numa versão sergipana daquela velha cantiga da casa improvável: a universidade já tem reitor, discurso e fotografia; só falta combinar alguns detalhes com o prédio e com as salas de aula. E ainda há a controvérsia em torno do patrimônio declarado, que merece ser tratada com documentos antes de virar certeza editorial. O maior problema de Fábio, porém, continua sem matrícula na Unese: a própria língua. Depois do “marchante”, das críticas ao tom e da discussão sobre arrogância, o governador começa a descobrir que administrar a máquina é bem mais fácil do que administrar o replay. Obra aceita aditivo, universidade aceita projeto complementar; frase infeliz, depois que ganha a rua, não aceita reforma nem segunda chamada.

Valmir teve uma quarta-feira menos confortável, porém politicamente muito mais interessante. Um processo relacionado a ele foi pautado no STJ para 1º de setembro, acrescentando nova data ao calendário jurídico de uma candidatura que há meses convive com tribunal quase como quem convive com comitê eleitoral. Mas aqui está o detalhe que seus adversários frequentemente parecem esquecer na pressa: Valmir continua candidato e nenhuma decisão dessas últimas horas o retirou da disputa. E talvez aí esteja uma das características mais curiosas de sua campanha. Enquanto tentam cercá-lo juridicamente, ele permanece de pé politicamente, transformando cada nova batalha em demonstração de resistência. Não é pouca coisa numa eleição em que muita candidatura desaparece do noticiário mesmo sem ter processo algum.

Ricardo Marques apareceu principalmente por um dado curioso: declarou não possuir bens à Justiça Eleitoral. Mas seu problema eleitoral continua sendo outro patrimônio, o político. Precisa mostrar ao sergipano que sua candidatura ao Governo tem prioridade real dentro do próprio PL, legenda em que o Senado e a Câmara parecem disputar boa parte das atenções. Ricardo está naquele estágio difícil em que precisa crescer contra Fábio e Valmir e, simultaneamente, provar que não é coadjuvante dentro da própria casa. É muito adversário para uma candidatura só. Antes de enfrentar a polarização, ele precisa convencer o partido a deixar a luz da varanda acesa.

Emanuel Cacho, Helton Monteiro e Taty Cristina tiveram presença pública muito mais discreta. Emanuel passou recentemente pelo constrangimento eleitoral de precisar dizer que continua candidato. Helton possui currículo e discurso na saúde, mas ainda não transformou esse capital profissional em barulho político proporcional. Taty, única mulher entre os seis nomes, possui um diferencial evidente, mas ainda precisa transformá-lo em conhecimento eleitoral. Em campanha existe uma crueldade pouco comentada: candidato grande discute rejeição; candidato pequeno sonha em ser rejeitado, porque isso significaria que primeiro alguém precisou conhecê-lo.

O retrato das 24 horas, portanto, mostra uma eleição que continua desigual em atenção. Fábio dispõe da máquina e precisa tomar cuidado para não imaginar que máquina vem acompanhada de voto no manual de fábrica. Valmir enfrenta uma pressão jurídica extraordinária e, apesar dela, continua no centro da disputa, competitivo e politicamente resistente. Os outros precisam rapidamente produzir acontecimentos próprios antes que outubro chegue e descubram que passaram a campanha comentando os dois primeiros. Fábio tem governo. Valmir tem adversidade e uma capacidade evidente de sobreviver a ela. Os demais ainda procuram a própria narrativa. E a urna, como sempre, observa tudo em silêncio, esperando outubro para fazer aquilo que político, advogado e marqueteiro mais temem: dar a única opinião que não admite recurso no palanque.

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