Nas últimas 24 horas, Fábio Mitidieri viveu aquele tipo de dia que todo marqueteiro adora: pouca explicação, quase nenhuma novidade concreta e uma pesquisa circulando de portal em portal como bandeja de salgadinho em festa de casamento. O governador apareceu bem nos números divulgados, ganhou títulos generosos e deixou a imprensa repetir que ele está na frente. Tudo muito bonito, limpo e bem embalado. O problema é que eleição não se vence apenas no PowerPoint da pesquisa nem no copia e cola das manchetes. Enquanto os números passeavam pelos sites, faltou ao candidato explicar o que fez, onde esteve, qual problema resolveu e por que o sergipano deveria comemorar alguma coisa além da felicidade momentânea do seu departamento de comunicação.
Valmir de Francisquinho, por outro lado, atravessou o mesmo período sem transformar cada passo em espetáculo pirotécnico. Não apareceu correndo atrás da pesquisa, não organizou velório para percentual e também não saiu distribuindo nota indignada como quem pede revisão de prova ao professor. Pode-se discutir se faltou uma reação mais rápida, mas há uma diferença evidente entre silêncio e desespero. Valmir continua sendo o candidato que construiu sua força política fora dos gabinetes, conversando com lideranças municipais, reunindo aliados e mantendo uma imagem de gestor próximo das pessoas. Enquanto Fábio comemora a fotografia do momento, Valmir parece mais interessado no filme inteiro. E filme eleitoral, como todo sergipano sabe, costuma guardar a melhor cena para o final.
A vantagem de Fábio nas últimas 24 horas foi essencialmente midiática. Ele ganhou a manchete, mas não apresentou um fato político proporcional ao barulho. Não houve anúncio capaz de mudar a vida do eleitor, adesão surpreendente, proposta nova ou gesto administrativo que justificasse tamanha euforia. O governador entrou em campo com o placar eletrônico favorável, mas praticamente sem tocar na bola. É como aquele time que vence a posse de bola, ganha nos escanteios e depois descobre que o adversário estava organizando o contra-ataque. Fábio parece confiar demais na estrutura, na repetição e na ideia de que, se dez portais disserem a mesma coisa, o eleitor será obrigado a acreditar onze vezes.
Valmir tem o desafio de ocupar mais rapidamente o debate público, mas possui algo que não se fabrica em agência: identidade política própria. Seu nome não nasceu de uma campanha publicitária, nem depende exclusivamente da caneta do governo ou da companhia de uma grande comitiva. Ele carrega uma base construída em eleições, administrações municipais e relações diretas com o interior. Nas últimas 24 horas, pode não ter vencido o campeonato das postagens, mas também não precisou posar de campeão porque apareceu bem em uma pesquisa. A política de Valmir ainda transmite a impressão de estrada, conversa e presença. A de Fábio, em alguns momentos, lembra uma inauguração de maquete: muita luz, muita câmera e ninguém sabe ao certo quando a obra ficará pronta.
O retrato das últimas 24 horas, portanto, é simples. Fábio ganhou repercussão. Valmir preservou consistência. O governador apareceu mais, mas falou menos do que as manchetes disseram por ele. Valmir apareceu menos, porém continua representando uma candidatura com capacidade real de crescimento, sobretudo quando a campanha sair das telas e entrar definitivamente nas ruas. Pesquisa é importante, comunicação também, mas o eleitor sergipano não compra botijão pela fotografia da chama. Quer saber se há gás dentro. E, até aqui, Valmir parece ter mais conteúdo político no depósito, enquanto Fábio continua investindo pesado na embalagem.




