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24 HORAS: Três campanhas, três estratégias e uma disputa pela presença

O domingo político em Sergipe deixou uma fotografia interessante da reta final da campanha pelo Governo do Estado. Enquanto Fábio Mitidieri e Ricardo Marques concentraram suas principais movimentações em Aracaju, vinculando suas imagens diretamente aos respectivos palanques presidenciais, Valmir de Francisquinho chegou ao fim de semana carregando uma estratégia diferente: circulação pelo interior, contato com lideranças municipais e presença em eventos fora da capital. A movimentação registrada em Capela, no sábado, fechou uma sequência de atividades que reforçou justamente essa característica da campanha de Valmir: menos dependência de um grande ato nacional e maior insistência na construção territorial da candidatura.

Fábio Mitidieri apostou no domingo em uma carreata atravessando Aracaju, do Capucho à Atalaia, ao lado de Jeferson Andrade, Rogério Carvalho, André Moura e outros aliados. Era uma demonstração de estrutura política e de associação direta com Lula, numa tentativa evidente de transformar a força da coligação em imagem de mobilização popular. Do outro lado, Ricardo Marques dividiu o protagonismo com Flávio Bolsonaro numa motocarreata que também percorreu a capital. Ricardo ganhou exposição, mas a passagem do senador por Sergipe acabou acompanhada por ruídos internos do próprio PL e por especulações sobre o futuro da candidatura, elementos que terminaram disputando espaço com a mensagem que o partido pretendia transmitir naquele domingo.

Valmir, por sua vez, apresentou durante o fim de semana uma lógica diferente. O roteiro anterior ao domingo havia passado por municípios do interior e terminou com a chamada “pisadinha” em Capela, evento que produziu imagens de mobilização e colocou novamente a campanha republicana no debate estadual. É importante separar os dias: não há base segura para atribuir aquela movimentação de Capela ao domingo. Mas o efeito político das imagens permaneceu no dia seguinte. Enquanto adversários buscaram força na presença de figuras nacionais em Aracaju, a campanha de Valmir utilizou como ativo justamente aquilo que vem procurando mostrar desde o início da disputa: trânsito municipal, proximidade com lideranças locais e presença física em diferentes regiões de Sergipe.

A disputa do fim de semana, portanto, revelou três formas distintas de tentar ocupar o imaginário do eleitor. Fábio apresentou a força de uma ampla aliança e do vínculo com o presidente da República. Ricardo tentou consolidar sua identificação com o bolsonarismo e aproveitar a passagem de Flávio Bolsonaro pelo estado. Valmir apareceu associado a uma campanha mais interiorizada, construída em sucessivos deslocamentos e encontros municipais. Nenhuma fotografia de carreata, motocarreata ou praça cheia substitui o voto na urna, mas, numa reta final de eleição, a capacidade de estar presente, produzir agenda própria e manter a candidatura circulando por diferentes regiões passa a ser um dado político relevante — e foi justamente esse elemento que marcou a movimentação de Valmir no fim de semana.

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