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48 horas: Salete sai do 22, Valmir ganha a foto e Rodrigo deixa Ricardo segurando a placa

A campanha eleitoral começou oficialmente hoje, 16 de agosto, e Sergipe acordou com mais cola na rua do que oficina de estofador. A Justiça Eleitoral liberou a propaganda, Valmir de Francisquinho e Priscila Felizola programaram o “Adesivaço da Esperança” em dois pontos estratégicos de Aracaju, na General Calazans e na Orla de Atalaia, enquanto Fábio Mitidieri montou uma operação maior, com seis locais de adesivagem em Aracaju e Nossa Senhora do Socorro. Fábio mostrou logística. Valmir apostou numa fotografia mais concentrada de rua, movimento e militância. São estratégias diferentes, mas o adesivaço de Valmir foi desenhado com uma simbologia política fácil de entender: campanha começando, candidato na rua, vice ao lado e uma marca tentando ocupar imediatamente o para brisa e a conversa do eleitor.

Só que Valmir recebeu, antes mesmo de a cola secar, um presente que nenhuma gráfica conseguiria imprimir. Pastora Salete deixou a chapa de Ricardo Marques e anunciou apoio ao candidato do Republicanos. E não saiu pela porta dos fundos, alegando aquela tradicional “questão pessoal” que na política serve para casamento, divórcio, demissão, rompimento e até sumiço de suplente. Salete disse publicamente que não encontrou prioridade nem unidade interna no PL e relacionou sua decisão ao que ocorreu na convenção partidária. Depois apareceu ao lado do projeto de Valmir, mencionando também Emília Corrêa e Priscila Felizola. Politicamente, isso produz uma cena poderosa porque a ex-vice não apenas abandonou o carro. Desceu, explicou por que não gostou da viagem e avisou em qual carro pretende seguir.

E aí entra Rodrigo Valadares, porque o problema do PL não nasceu ontem. Durante a própria convenção que homologou Ricardo Marques para governador, Rodrigo declarou publicamente que a prioridade do partido em Sergipe era a eleição para o Senado e para a Câmara Federal, inclusive fazendo a afirmação diante do candidato ao Governo. Do ponto de vista de comunicação política, é uma construção curiosíssima. É mais ou menos como inaugurar uma churrascaria e o dono pegar o microfone para avisar que a prioridade da casa é vender sobremesa. Ricardo estava sendo lançado candidato a governador enquanto o presidente estadual praticamente colocava uma plaquinha na porta informando onde o partido concentraria suas energias. Depois Salete sai reclamando exatamente de falta de prioridade e unidade. Não é preciso ser Sherlock Holmes eleitoral para perceber que as duas fotografias conversam entre si.

O PL sergipano, portanto, começou a campanha enfrentando uma pergunta que nenhum marqueteiro gostaria de encontrar na primeira segunda feira de trabalho: quem será o vice de Ricardo? O próprio candidato respondeu com serenidade, afirmou respeitar Salete, garantiu que continuará na disputa e prometeu orar para que Deus apresente outro nome. Neste domingo, Ricardo indicou que a definição deverá ocorrer no máximo até segunda feira. A legislação permite a substituição em caso de renúncia, observados os procedimentos e o prazo legal de dez dias a partir do fato que provoca a troca. Portanto, juridicamente existe caminho. Politicamente é que mora a comédia. Vice não deveria ser aplicativo de transporte, em que o sistema procura o motorista disponível mais próximo. O PL precisa encontrar alguém que queira entrar numa chapa cujo primeiro ocupante do banco desembarcou dizendo que faltavam unidade e prioridade.

Fábio Mitidieri, nesse cenário, fez uma demonstração objetiva de estrutura. Seis pontos de adesivagem funcionando ao longo do domingo mostram capilaridade organizacional e capacidade de mobilizar uma máquina eleitoral espalhada territorialmente. Valmir escolheu outra estética, concentrando seu ato em dois pontos e reforçando uma narrativa de rua que já aparece com frequência em sua comunicação. Fábio priorizando gestão e entregas; Valmir enfatizando rua, trajetória pessoal e oposição. Em linguagem de campanha, um chega exibindo a planilha e o outro prefere aparecer no meio da calçada. O eleitor decidirá qual narrativa considera mais convincente. O que ninguém discute é que adesivo, nesta eleição, já deixou de ser apenas plástico. Virou termômetro, cenário e, em alguns casos, terapia de grupo partidária.

Emanuel Cacho, Helton Monteiro e Taty Cristina ainda precisam disputar espaço nesse ambiente cada vez mais barulhento, porque a largada foi dominada por estrutura, rua e crise partidária. Mas o grande roteiro cômico destas primeiras horas veio mesmo do PL. Rodrigo Valadares colocou Senado e Câmara no topo das prioridades, Ricardo Marques ficou obrigado a reafirmar que sua candidatura continua, Salete abandonou a chapa criticando justamente a falta de prioridade e unidade e agora o partido corre para anunciar outro vice. Nenhum roteirista de stand up teria coragem de entregar tudo isso no primeiro episódio porque pareceria exagero. A campanha nem completou o primeiro dia e o PL já conseguiu transformar a pergunta “quem será governador?” em outra bem mais urgente dentro de casa: “alguém aí conhece um vice?” Enquanto isso, Valmir e Priscila colam adesivos, Fábio espalha postos pela cidade e Ricardo espera que, desta vez, quem sente no banco do passageiro fique pelo menos até a próxima curva.

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