Nove meses. Foi esse o tempo que durou o mandato do prefeito de Lagarto, Sérgio Reis (MDB), antes de ser derrubado pela Justiça Eleitoral por abuso de poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação e omissão de gastos de campanha. Um recorde amargo, que não marca apenas o fim precoce de uma gestão, mas também a confirmação de que quem joga fora das regras do processo democrático precisa arcar com as consequências.
A cassação, que ainda cabe recurso, expôs com clareza o contraste entre dois estilos de fazer política em Sergipe: de um lado, a pressa de Sérgio Reis em conquistar o poder a qualquer custo; do outro, a firmeza de Gustinho Ribeiro (Republicanos), que, mesmo sob ataques e acusações infundadas, escolheu o caminho mais difícil e mais correto: enfrentar as irregularidades na Justiça, com provas, serenidade e respeito às instituições.
Durante a entrevista em que comentou a decisão, Gustinho não comemorou a queda do adversário, não fez espetáculo nem buscou revanche. Apenas lembrou que, enquanto todas as ações movidas contra sua campanha foram arquivadas por falta de provas, uma das ações ajuizadas por sua coligação contra Sérgio foi considerada procedente e resultou na cassação do mandato. Um gesto de quem sabe que a democracia se protege com firmeza, não com raiva.
Ao contrário do que tentaram insinuar aliados do prefeito cassado, não houve armação, trama ou perseguição. Houve apenas o que se espera de um representante público comprometido com a legalidade: identificar falhas graves, reunir provas e confiar na Justiça. “Quando alguém comete crimes eleitorais, a forma correta de agir numa democracia é acionar a Justiça”, disse Gustinho. Simples assim.
O episódio é duro, mas pedagógico. Mostra que não basta conquistar votos; é preciso conquistá-los dentro das regras do jogo. Sérgio Reis prometeu ser a esperança de Lagarto e terminou como uma decepção relâmpago: não apenas pela frustração administrativa, mas agora também pela vergonha política de ser lembrado como o prefeito que caiu em tempo recorde.
Lagarto não merecia passar por mais essa instabilidade. Mas a decisão traz um alento: a certeza de que as instituições estão funcionando e de que ainda existem políticos, como Gustinho Ribeiro, dispostos a defender a democracia mesmo quando isso significa enfrentar poderosos e suportar o desgaste.




