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Socorro em alerta: denúncia de Armando Batalha Júnior expõe abuso de poder e descaso com o consumidor

Em Nossa Senhora do Socorro, a política parece ter perdido a noção do limite entre administrar e perseguir, e o episódio que levou ao pedido de exoneração do secretário Armando Batalha Júnior deixa isso claro como água de cacimba do Porto Grande e mangaba da Taiçoca de Dentro: quando a gestão esquece a função pública e começa a funcionar como patrulha eleitoral, o povo é que paga a conta.

Armando não saiu quieto, nem saiu por sair. Saiu revoltado, e com um dossiê verbal de quem viveu na pele o que chamou de falta de estrutura e perseguição política. “Eu fiquei incrédulo. No mínimo era pra ter tido respeito, ou me chamar, ou conversar. Mas não. Foi perseguição política”, afirmou ele, relatando o que viu e viveu no comando do PROCON.

Segundo o ex-secretário, o órgão funcionava praticamente na base da reza e da boa vontade: “Vivem sem qualquer tipo de recurso, seja recurso da espécie financeira, seja recurso pessoal, ou mesmo recurso estrutural.” Ele tentou, insistiu, foi às escolas, levou educação financeira ao povo, atendeu no programa “Cuidando de Você” aos sábados, esteve na sede para atender consumidores e proteger direitos, mas encontrou improviso e constrangimento institucional. “A pessoa ia falar de dívida e ficava constrangida porque outras pessoas podiam ouvir.” Não era atendimento: era penitência pública.

Armando buscou soluções, foi ao PROCON estadual, ao PROCON de Aracaju, estudou modelos, fez planejamento, se preparou para profissionalizar a defesa do consumidor. Mas de nada adiantou: “Eu fiz todo um planejamento… mas já que não há essa prioridade, a gente pega nosso boné e segue nossa luta.”

E então veio a gota d’água, aquela que separa divergência de abuso e gestão de retaliação. Segundo ele, Juliette, servidora da própria gestão, foi exonerada por apoiar outro deputado estadual porque parece que, em Socorro, o funcionário público não serve ao povo, mas à preferência eleitoral de quem está no gabinete. “Ela tinha o compromisso com Samuel para prefeito, mas não tinha com o deputado estadual dele… ela decidiu apoiar Neto Batalha… e por isso o prefeito Samuel decidiu exonerar ela.”

Armando ouviu tudo dela, “com riqueza de detalhes”, e concluiu: “No mínimo era pra ter tido respeito. Mas não. Foi perseguição.” E o ex-secretário deixou claro o absurdo institucional: “Não consigo compreender uma gestão que antecipa eleição e persegue quem apoia diferente.”

Quando a máquina pública vira trincheira eleitoral e o gabinete se torna quartel disciplinar, não estamos diante de liderança, estamos diante de assédio político, pressão institucional e uso pessoal do poder público. Se isso se confirmar, o problema não será apenas moral. Será jurídico.

Estaremos falando de abuso de poder político, desvio de finalidade, retaliação eleitoral, violação aos princípios da impessoalidade e moralidade administrativa e, sim, de possível responsabilização na Justiça Eleitoral. Porque se servidor foi exonerado por escolha política, isso não é governo, é coerção. Não é gestão, é mando. E quem usa estrutura pública para punir quem pensa diferente não está governando: está coagindo.

Em Socorro, o povo não precisa de coleira partidária, nem de prefeito fiscal de fidelidade eleitoral. Precisa de governo, de trabalho, de serviço público digno e de respeito institucional. O que Armando disse ecoa algo simples e óbvio que parece ter sido esquecido na Praça dos Três Poderes municipais: “É hora de gestão. Não de antecipar pleito.”

Serviço público não é palanque. Cargo não é cabresto. E servidor não é soldado político. Se confirmadas as denúncias, o episódio deixa de ser política e passa a ter nome técnico: abuso de poder. E abuso de poder, numa democracia, tem consequência. A Prefeitura será procurada para se manifestar. E, com todo respeito ao contribuinte e à verdade, que venha a resposta porque quem governa com correção explica; quem não explica, costuma perseguir.

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