As últimas 24 horas revelaram com clareza o momento de cada candidatura ao Governo de Sergipe. Fábio Mitidieri foi à televisão defender sua administração, reconhecer problemas e tentar apagar incêndios políticos, embora ainda falte água até para encher o balde dos bombeiros. Admitiu que o abastecimento não melhorou em muitas áreas e reconheceu que sua declaração sobre os professores não foi adequada. Apresentou números, escolas climatizadas, propostas para mulheres e o projeto do VLT, mas permaneceu preso ao desafio clássico de quem governa: explicar por que a propaganda anda de trem bala enquanto o serviço público chega de carroça.
Valmir de Francisquinho teve uma jornada politicamente mais confortável e estrategicamente mais produtiva. Reuniu se com representantes da Acese, da Fecomércio, do Sesc e do Senac, discutindo turismo, comércio, infraestrutura e geração de empregos. Ao mesmo tempo, sua proposta de reduzir a passagem de ônibus para menos de três reais continuou circulando nas ruas e nas redes sociais. Enquanto o governador precisou explicar a água que não chega, Valmir falou do ônibus que pretende baratear. É uma diferença importante: um candidato tenta fechar as torneiras do desgaste, enquanto o outro abre a torneira das propostas.
Ricardo Marques buscou crescer em Itabaiana, território politicamente ligado a Valmir, mas sua presença ainda produziu mais fotografia do que abalo eleitoral. Emanuel Cacho apresentou um conjunto extenso de propostas sobre educação, segurança, gás, água, rodovias e ferrovias, além de administrar a mudança de sua candidatura a vice. Helton Monteiro aproximou se dos professores e dos estudantes, mantendo coerência com seu campo político e com a mobilização social. Taty Cristina apostou nas redes sociais, onde todo candidato parece gigante até aparecer a pesquisa e desligar o filtro.
A radiografia mostra que Fábio e Valmir continuam ocupando o centro da disputa, mas chegaram a ele por caminhos diferentes. Fábio possui a estrutura do governo, porém carrega o peso da crise da água, do conflito com os professores e das cobranças acumuladas pela gestão. Valmir, sem precisar defender o passado administrativo estadual, conseguiu falar de economia, transporte e desenvolvimento com maior liberdade e objetividade. Nas últimas 24 horas, o governador apresentou justificativas, Valmir apresentou alternativas e os demais apresentaram o cartão de visitas. Na política, explicar é necessário, mas propor costuma render mais votos do que pedir desculpas.




