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Contrato milionário de Umbaúba exige investigação urgente

A reportagem do canal avozdopovo.umbauba acendeu um alerta que não pode ser ignorado pelo Ministério Público de Sergipe nem pelo Tribunal de Contas do Estado. Segundo as informações apresentadas, um instituto sediado em Cícero Dantas, na Bahia, estaria ligado a um contrato estimado em mais de R$ 11 milhões com o Município de Umbaúba, dos quais mais de R$ 4 milhões já teriam sido pagos. São cifras expressivas demais para serem protegidas pelo silêncio, por respostas imprecisas ou por documentos difíceis de localizar nos portais públicos.

O repórter Léo Menezes merece reconhecimento pela coragem e pela disposição de atravessar a divisa entre Sergipe e Bahia para procurar pessoalmente a sede da entidade. Em vez de repetir versões oficiais, ele pegou a estrada, chegou ao endereço indicado, mostrou o local e fez as perguntas que qualquer cidadão faria. Quis saber quantos funcionários trabalham ali, quais departamentos existem, qual é a estrutura disponível e se o instituto possui capacidade técnica e operacional para assumir uma responsabilidade financeira dessa dimensão. Isso é jornalismo de verdade: sair do estúdio para conferir se o papel combina com a realidade.

As respostas registradas pela reportagem, porém, não afastaram as dúvidas. A placa encontrada no local fazia referência a uma Delegacia dos Direitos Humanos, enquanto os esclarecimentos sobre funcionários, departamentos e atuação em Sergipe ficaram incompletos ou foram transferidos para outro responsável. Isso não autoriza uma condenação antecipada, mas exige transparência imediata. Um contrato milionário precisa possuir nome completo, CNPJ, processo administrativo, objeto detalhado, profissionais identificados, estrutura comprovada, notas fiscais, relatórios de execução e fiscalização efetiva. Dinheiro público não pode trabalhar em departamento invisível.

O Ministério Público e o Tribunal de Contas precisam requisitar o processo integral, verificar a modalidade da contratação, conferir a capacidade técnica da entidade e cruzar cada pagamento com o serviço efetivamente prestado. Se mais de R$ 4 milhões já saíram dos cofres municipais, é indispensável saber quem recebeu, o que entregou, quem fiscalizou e quem atestou. Também cabe à Prefeitura de Umbaúba divulgar espontaneamente todos os documentos. Se estiver tudo regular, a documentação esclarecerá os fatos. Se houver incompatibilidade entre a estrutura encontrada, o objeto contratado e os valores pagos, as responsabilidades deverão ser identificadas.

A população de Umbaúba e de toda a região Centro-Sul de Sergipe precisa tomar ciência do que está acontecendo. Não se trata de acusar por acusar, mas de impedir que uma denúncia tão grave seja empurrada para debaixo do tapete administrativo. O canal avozdopovo.umbauba cumpriu seu papel com uma reportagem crítica, corajosa e necessária. Agora, a palavra está com o Ministério Público, o Tribunal de Contas e a Prefeitura. O repórter atravessou a divisa para buscar respostas; falta saber se os órgãos de controle terão a mesma disposição para atravessar o silêncio.

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