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SSP: investigadores no batente, delegados nos gabinetes?

Em Sergipe, a segurança pública inventou o forró do remanejamento: os investigadores trocam de lugar e a população torce para a delegacia continuar aberta! O delegado-geral Thiago Leandro anunciou o deslocamento de 43 oficiais investigadores para os plantões do interior. Propriá e Lagarto retomaram o atendimento noturno em 4 de novembro; Estância, Nossa Senhora da Glória e Tobias Barreto aguardam reforços. A iniciativa pode ajudar, mas há uma pergunta que não sai da cabeça do sergipano: por que a dança começa pela ponta e não por uma revisão geral das lotações? Segurança não se faz só com cafezinho e reunião para marcar outra reunião.

O governo alegou falta de delegados ao negar, em outubro, a renovação da cessão de André David à Prefeitura de Aracaju. O secretário João Eloy mencionou déficit e despesas com plantões voluntários. Na Assembleia, Georgeo Passos questionou a presença de delegados em secretarias e no Tribunal de Justiça. São cobranças públicas, não prova de irregularidade. Mas a SSP precisa mostrar o mapa: quantos delegados estão nas unidades, quantos exercem funções administrativas, quem está cedido e por qual fundamento? Se a régua é falta de pessoal, convém medir também os gabinetes com ar-condicionado.

Os policiais civis continuam debatendo valorização, condições de trabalho e plantões. Remanejar 43 profissionais não é mágica: quem assumirá os inquéritos e tarefas deixados para trás? Como ficam as escalas, o descanso, os deslocamentos e os custos? O cidadão quer ocorrência registrada e investigação andando, não uma força-tarefa que deslumbra no PowerPoint e perde o fôlego na madrugada. Sem planejamento, é cobertor curto: cobre a delegacia de uma cidade e descobre a de outra.

A saída é uma auditoria transparente de lotações e cessões e outros órgãos, sem desconsiderar funções estratégicas legítimas. A SSP deve explicar os critérios de escolha dos 43 investigadores e avaliar quantos servidores podem voltar à atividade-fim. Não se trata de declarar toda cessão ilegal, mas de exigir coerência. Atenção, sergipano: na polícia, o sacrifício não pode ficar sempre com os mesmos peões enquanto o resto do tabuleiro permanece intocado. Antes de outra operação de remanejamento, uma missão nos gabinetes resolveria muita dúvida. Sem sirene: bastam planilha, atos oficiais e a pergunta que incomoda: quem está onde, fazendo o quê e por quê?

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