Na Câmara de Aracaju, cada sessão parece um episódio de reality show político: tem vereador fazendo denúncia como se fosse delator premiado, outro puxando parabéns de aniversário no meio da bronca, gente citando a Bíblia na alfândega e até quem transforme a tribuna em mesa de DJ com áudios de Bolsonaro e Malafaia. No meio desse enredo, sobra de tudo: discurso que soa campanha, defesa de horta comunitária como solução para a fome e cobranças sobre ônibus que andam no fiado. O plenário virou um palco múltiplo: um pouco de culto, um tanto de CPI, pitadas de arquibancada e, claro, muito teatro.
Fábio Meireles, ocobrador da verdade – Fábio subiu à tribuna indignado: “o povo simples pagou passagem, mas os ônibus nem foram pagos”. Mostrou vídeo da prefeita admitindo a situação e cravou: “até hoje Aracaju não tem aval do Tesouro Nacional”. Para ele, a gestão botou ônibus para rodar no fiado, mas quem quitou a conta foi o povo.

Elber Batalha, o CSI do carro blindado – Com dossiê, fotos e vídeos, Elber detonou a prefeita Emília por alugar SUV blindada de meio milhão via dispensa de licitação. Descobriu que o carro foi comprado por candidato derrotado do PL e depois repassado para outro correligionário. “É o sistemão do blindado: contrato caro, amigos felizes e a população de motorista do busão elétrico sem placa”, resumiu.
Elber Batalha (2ª vez) , o maçom da tribuna – Como se não bastasse o carro blindado, Elber também comandou sessão especial para celebrar o Dia do Maçom. Recebeu moção de gratidão, discursos de mestres e até lição de fraternidade. Do jeito que vai, Elber já pode usar compasso e esquadro para medir superfaturamento em contratos.
Elber Batalha (3ª vez), o DJ dos áudios – Exibiu trechos de Malafaia e Bolsonaro detonando aliados e falou em “pseudo líder evangélico”. Transformou a sessão em podcast político, com direito a palavrão censurado.

Anderson de Tuca, o parabenizador oficial – Enquanto uns investigavam blindados e ônibus, Anderson preferiu jogar confete: elogiou a parceria da prefeitura com o INSS no projeto Inclusão Nordeste, que agiliza acesso ao BPC. Lembrou que quem precisa de benefício tem pressa. Virou o “vereador pomada”: dá alívio em meio às pancadas políticas.
Anderson de Tuca (2ª vez), o aniversariante goleador – Além do bolo, comemorou a final do Confiança e agradeceu o apoio do governo ao clube. Virou o artilheiro da tribuna: marcou gol de aniversário e gol de torcida.
Joaquim da Janelinha, o defensor da linha 702 – Joaquim abriu o pequeno expediente preocupado com mudança no itinerário da linha Augusto Franco-Beira Mar. Prometeu brigar por estudo da SMTT. Aproveitou para parabenizar Anderson de Tuca pelo aniversário. Resumindo: fiscaliza ônibus, mas não perde festa de colega.
Lúcio Flávio, o advogado de Malafaia – Indignado, Lúcio chamou de absurdo o vazamento de mensagens de Silas Malafaia. Aproveitou para desafiar blogueiro que criticou sua posição sobre a escala 6×1: “venha debater geração de emprego comigo”. Se a moda pega, a tribuna vira ringue de influencer.
Marcel Azevedo, o dentista de plantão – Marcel comemorou doação de cadeiras odontológicas pela Unit e apresentou projeto para obrigar academias a ter curso de primeiros socorros. É o vereador check-up: cuida do sorriso, da malhação e da segurança no supino.
Pastor Diego, o defensor de púlpito – Indignado com a abordagem a Malafaia, disse que o pastor foi tratado como marginal pela Receita Federal. Segundo Diego, apreender caderno de sermão é blasfêmia política. Se depender dele, Bíblia vira documento oficial na alfândega.
Selma França, a torcedora azulina – Entre parabéns ao colega Anderson, celebrou o Confiança na final da Copa Nordeste. Virou a vereadora do “futebol une tudo”: política, torcida e aniversário no mesmo discurso.
Sargento Byron, o xerife do diálogo – Defendeu liberdade de expressão após polêmica da escala 6×1. Lamentou ser visto como “algoz do trabalhador” e pediu mais conversa, menos chicote. É o xerife da retranca verbal.

Breno Garibalde, o urbanista da expansão – Denunciou caos no Robalo, Marivan e Parque Diamante: ruas sem pavimentação, UBS lotada, falta de transporte. Para Breno, a prefeitura deixou a zona de expansão crescer como mato sem poda.
Camilo Daniel, o agricultor de plenário – Relatou visita à UFS e defendeu agricultura urbana. Quer orçamento para hortas e soberania alimentar. Camilo é o vereador agroecológico: planta discurso e colhe projetos.
Iran Barbosa, o constitucionalista – Rebateu defesa de Malafaia dizendo: “ninguém está acima da lei”. Lembrou que PF, PGR e STF atuam com base no devido processo legal. Na novela da Câmara, Iran é o personagem que lê Constituição como roteiro.
Resumo final – Na mesma semana, a Câmara virou palco de denúncia de ônibus elétrico sem pagamento, carro blindado alugado em família partidária, homenagem maçônica, briga por linha de ônibus, defesa de Malafaia, celebração do Confiança e até aula de soberania alimentar. Em Aracaju, vereador não descansa: ele investiga, canta parabéns, fiscaliza, homenageia e ainda encontra tempo para brigar com blogueiro.




