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A Câmara de Socorro tem dono? Samuel escolhe Lalo e a oposição cobra independência

A Câmara de Nossa Senhora do Socorro tem 21 vereadores, mas a disputa pela presidência provoca uma pergunta: quem decide, a Casa ou o prefeito Samuel Carvalho? A articulação favorável a Lalo, apoiada publicamente pelo atual presidente Betinho, passa a impressão de escolha feita no núcleo governista. O recado político parece ser “é Lalo e o resto que se vire”, síntese crítica, não declaração literal comprovada de Samuel. Aliados são legítimos; transformar a Câmara em extensão do gabinete, não.

Lalo já exerceu mandato e foi reeleito em 2024. Experiência, porém, não substitui projeto. Que pretende fazer pela transparência, pelas comissões e pela autonomia do Legislativo? Há outros vereadores experientes que merecem participar do debate. A preferência do prefeito não pode dispensar a discussão pública. Presidência de Câmara não é presente político com laço do Executivo.

A eleição da Mesa está prevista para depois do pleito estadual de 2026, conforme declaração de Betinho, mas não havia data exata confirmada. Eliel Felipe apresentou proposta de votação secreta, que merece exame: o sigilo pode conter pressões, mas retira do eleitor a identificação dos votos. Eliel, Luiz Paulo Panzuá e Charlys de Gel podem demonstrar oposição efetiva cobrando regras, gastos e decisões, com documentos e transparência.

Samuel tem influência, não escritura de propriedade da Câmara. Se Lalo vencer, precisará mostrar independência inclusive quando houver divergência com a Prefeitura. Os demais vereadores também deverão explicar suas escolhas. Socorro não elegeu 21 representantes para aplaudir uma vontade única. A Câmara tem presidente, Regimento e obrigação de fiscalizar. Dono, não.

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