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Resumão da Alese: entre pontes milionárias, salgadinhos de ouro e discursos de fé

Se tem algo que deputado adora é obra grande para tirar foto de capacete. E foi exatamente isso que aconteceu quando o presidente da Assembleia Legislativa, Jeferson Andrade (PSD), reuniu colegas para visitar o canteiro do Complexo Viário Maria do Carmo Alves, em Aracaju.

Com investimento de R$ 318 milhões, a obra tem cara de cartão-postal e promessa de desafogar o trânsito até 2027. No canteiro, o clima foi de entusiasmo: teve quem exaltasse o cuidado ambiental com o manguezal, quem lembrasse do crédito aprovado pela própria Alese e até comparações com as “grandes obras da história”. Para quem passa de carro, parece só estaca no chão. Mas, para os parlamentares, virou quase passeio turístico.

A iniciativa de Jeferson merece elogio: levar os deputados ao local aproxima o Legislativo da função de fiscalizar e dar transparência ao que foi aprovado em plenário. Mostrar a obra à sociedade é tão importante quanto executá-la.

Só que o dia não parou no concreto e no aço. No plenário, a pauta variou de salgadinhos milionários em Lagarto a protestos de auditores fiscais em greve, passando por agradecimentos protocolares e a eterna discussão sobre emendas parlamentares.

Ou seja, foi mais uma sessão típica da política sergipana: onde cabem lado a lado a ponte estaiada e a coxinha superfaturada, a fé de procissão e a bronca contra estradas esburacadas. Entre discursos, fotos e visitas, a Assembleia mostrou que, pelo menos desta vez, não deixou a transparência de fora da agenda.

Dep. Ibraim de Valmir (PV) – Fez das emendas parlamentares seu cavalo de batalha e lembrou que só em Lagarto já despejou mais de R$ 3 milhões, incluindo verba para o Hospital do Amor. Entregou até carro para Salgado, destinado a levar remédio e paciente que não consegue sair de casa. Para arrematar, convocou geral para as festas de Nossa Senhora da Piedade, em Lagarto. Política com fé e procissão, pacote completo.

Dep. Manuel Marcos (PSD) – Virou guia ecológico da Alese. Voltou encantado da visita às obras do Complexo Viário Maria do Carmo Alves, mas só porque viu que o manguezal está sendo tratado como patrimônio sagrado. Citou até Ibama e explicou que o mangue é filtro natural da cidade. Tradução: além de obra viária, agora temos aula de biologia em sessão plenária.

Dep. Garibalde Mendonça (PDT) – Entrou de gaiato no discurso de Manuel, mas para reforçar: garantiu que na obra tem até engenheiro florestal e veterinário de prontidão. Ou seja, se o mangue tossir, tem médico na hora.

Dep. Áurea Ribeiro (Republicanos) – Não poupou munição: detonou a famosa licitação de R$ 9 milhões em salgadinhos da prefeitura de Lagarto. Disse que a cidade precisa é de escola, saúde e estrada não de coxinha com preço de ouro. Alfinetou o prefeito chamando-o de turista e sugeriu que a Globo está perdendo um ator de novela, especialista em fake news. Se fosse Big Brother Lagarto, ele já teria sido eliminado com rejeição recorde.

Dep. Kaká Santos (União Brasil) – Preferiu ser diplomático: agradeceu às instituições que participaram da audiência pública sobre as estradas de Sergipe. Falou de educação no trânsito e anunciou ordem de serviço para obra em Tobias Barreto. Enquanto uns reclamam de buraco, Kaká já promete asfalto com assinatura de contrato.

Dep. Linda Brasil (PSOL) – Defendeu os auditores fiscais em greve contra o governo. Disse que a proposta enviada pelo Executivo corta benefícios de aposentados e aumenta salários da alta cúpula da Sefaz. Exibiu até vídeo de protesto e chamou atenção para o risco de “insegurança jurídica”. Resumindo: se depender dela, o governo não vai poder esconder a conta debaixo do tapete.

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