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Resumão da Câmara: 74ª. Sessão

A quinta-feira foi tudo, menos morna, na Câmara Municipal de Aracaju. Entre reclamações sobre esgoto, propostas para bueiros ecológicos, homenagens, disputas territoriais e até debates sobre liberdade religiosa e Bolsonaro, os vereadores transformaram a sessão em um verdadeiro ringue de ideias. Teve quem gritasse por saneamento, quem pedisse silêncio para alunos autistas, quem defendesse professores, espetinhos e até quem invocasse a democracia para pedir mais concursos. Foi um dia de muito barulho e também de muito trabalho.

Bigode na bronca: esgoto, fronteira e lama até o pescoço – O vereador Bigode do Santa Maria subiu o tom e o microfone na Câmara: denunciou obras malfeitas que deixaram os bairros Padre Pedro, Valadares e a “invasão do Santa Maria” convivendo com rios de esgoto a céu aberto. Como se não bastasse o cheiro, Bigode ainda cutucou a indefinição da divisa entre Aracaju e São Cristóvão, dizendo que a confusão territorial pode estar por trás do caos. Para ele, só um plebiscito com a voz do povo (e de Deus, segundo ele) resolve. De quebra, cobrou da Iguá e da SMTT mais agilidade para consertar vazamentos e ordenar o trânsito. A bronca veio completa, com CEP e tudo.

Levi quer saúde, menos buracos e bueiros que engolem lixo (não carros) – Enquanto Bigode falava em esgoto, o vereador Levi Oliveira (PP) foi de saúde: quer uma campanha para ensinar a população a descartar medicamentos corretamente, antes que eles contaminem o solo e a água. Levi, que já apresentou 134 indicações em apenas oito meses, também quer kits de primeiros socorros em escolas e técnicos de enfermagem de plantão. Na pauta urbana, pediu quebra-molas no São Conrado, reparos urgentes no telhado do Terminal dos Mercados e até um “bueiro ecológico” no bairro São José para segurar lixo antes que ele vá parar no mar. Trabalhando mais que farmacêutico em plantão.

Breno Garibalde cria Frente Parlamentar para salvar o Centro – Com a cidade crescendo para todos os lados, o vereador Breno Garibalde (Rede) decidiu olhar para o coração da capital: conseguiu aprovar a criação da Frente Parlamentar em Defesa do Centro de Aracaju, que vai unir sociedade civil, moradores e órgãos públicos para revitalizar, reocupar e preservar o patrimônio histórico da região central. Breno também quer resolver a novela da zona de expansão disputada entre Aracaju e São Cristóvão e apoia a audiência pública proposta por Lúcio Flávio (PL) para discutir o tema.

Iran Barbosa homenageia corredores e defende concursos – O vereador Iran Barbosa (PSOL) teve um dia multitarefas: conseguiu aprovar o Dia Municipal do Atleta de Corrida de Rua (25 de maio) e aproveitou para cobrar mais concursos públicos para o magistério estadual, lembrando que há mais de 4.500 professores para repor. De quebra, comentou o julgamento de Bolsonaro no STF e defendeu que, “sem respeito às decisões da Justiça, é barbárie”. Correu, legislou e ainda deu aula.

Fábio Meireles quer salas do silêncio e ônibus que ande – Na sessão, o vereador Fábio Meireles (PDT) defendeu a criação de salas de silêncio para alunos autistas e neuroatípicos nas escolas da capital, um espaço sensorial para evitar crises e garantir acolhimento. Mas também aproveitou para voltar à carga contra o caos no transporte público: ônibus velhos, sem ar-condicionado e verba dos elétricos travada na Secretaria do Tesouro Nacional. Meireles quer menos barulho nas escolas e mais motor funcionando nos terminais.

Camilo Daniel cobra professores e cutuca Bolsonaro – O vereador Camilo Daniel (PT) disparou: disse que Sergipe precisa de mais de 4.500 professores, mas o governo só abriu concurso para 300 vagas. Classificou como “grave” e pediu urgência. E ainda sobrou munição para política nacional: declarou que “a prisão de Bolsonaro será um avanço para a democracia”. Foi aula e lava-jato no mesmo discurso.

Lúcio Flávio liga alerta sobre a zona de expansão – Enquanto isso, o vereador Lúcio Flávio (PL) quer resolver a confusão da zona de expansão, hoje disputada entre Aracaju e São Cristóvão. Ele marcou audiência pública para o dia 16 de setembro e ainda elogiou o voto do ministro Luiz Fux no STF, contrário à condenação de Bolsonaro. Entre mapas e julgamentos, Lúcio virou bússola da sessão.

Binho denuncia escuridão e cobra ação da Energisa – No Pequeno Expediente, o vereador Binho (Podemos) fez denúncia: uma rua no Conjunto Almirante Tamandaré está sem energia há 15 dias por lâmpadas queimadas. Aproveitou para pedir sinalização na avenida Santa Gleide e na ciclovia. Pediu luz, mas também quer visibilidade.

Selma França agradece e fiscaliza – A vereadora Selma França (PSD) comemorou a solução de um buraco no bairro Santa Maria após cobrança sua à Iguá Sergipe. Lembrou que fiscalizar é dever do vereador — e disse que espera que a população volte a acreditar no mandato parlamentar. Buraco fechado, discurso aberto.

Marcel Azevedo combate fraudes na saúde – Já o vereador Marcel Azevedo (PSB) celebrou os aprovados no concurso da Saúde e convocou o público para audiência que vai discutir fraudes em cooperativas do setor. Saúde virou caso de polícia e de plenário.

Miltinho Dantas entre títulos e espetinhos – O vereador Miltinho Dantas (PSD) viveu uma montanha-russa: homenageou a arquiteta da Orlinha Pôr do Sol, a escritora Maria Zélia e a treinadora convocada para a seleção brasileira, Eliatriz Almeida. Depois, foi para a bronca: criticou a retirada de bares, espetinhos e trailers das calçadas, dizendo que isso pode fechar comércios e deixar centenas de famílias sem renda. Citou o Bar do Itabaiana, no Bairro Industrial, que ainda distribui marmitas para pessoas em situação de rua. “Não dá pra acabar com o emprego de quem alimenta quem não tem o que comer”, disparou.

Alex Melo defende saúde mental dos jovens – O vereador Alex Melo (PRD) destacou o trabalho do grupo HELP, no Gonzagão, no combate à depressão e à ansiedade entre jovens, e disse que quer ajudar a criar projetos de lei na SERMULHER para defesa da mulher. Um HELP no microfone.

Pastor Diego defende projeto religioso e rebate críticas – Encerrando os debates, o vereador Pastor Diego (União Brasil) saiu em defesa do projeto que criou o intervalo religioso nas escolas municipais. Disse que foi alvo de preconceito e que há “histeria nas redes sociais”. Para Diego, o projeto garante liberdade religiosa, e não doutrinação. Bíblia na mão, convicção no tom.

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