A política sergipana começa a ensaiar uma verdadeira novela feminina para a Prefeitura de Aracaju em 2028. Nos bastidores, Katarina Feitoza aparece como possível candidata de Fábio Mitidieri, e não é por acaso. A deputada saltou de 38.135 votos em 2022 para 71.592 em 2026, um crescimento de quase 88%. Ex-vice-prefeita, conhece Aracaju, abraça, beija, conversa e demonstra uma habilidade rara na política: consegue se aproximar das pessoas sem parecer que está cumprindo obrigação de campanha. Katarina tem carisma, experiência e votos próprios. Mas existe um detalhe que nenhum marqueteiro deveria esquecer: uma coisa é conquistar votos espalhados por Sergipe, outra é enfrentar o eleitor aracajuano, que conhece a diferença entre promessa de campanha e buraco na porta de casa!
Enquanto isso, Érica Mitidieri aparece em duas temporadas da novela governista. Na primeira, seu nome circulou para o Tribunal de Contas, numa disputa de bastidores em que Maísa Mitidieri despontou como favorita. Agora, Érica surge como possível concorrente de Katarina pela preferência governista na capital. Érica merece reconhecimento pela participação na campanha de Fábio, especialmente pelos vídeos e pela comunicação. Mas vídeo bonito não é título eleitoral, simpatia diante das câmeras não garante voto e sobrenome famoso não substitui liderança própria. Nos corredores do poder, comenta-se sobre seu estilo mais firme de relacionamento, percepção que não pode ser tratada como fato comprovado. Entre Maísa e Katarina, Érica corre o risco de participar de duas disputas sem sequer chegar à convenção. É muito ensaio para uma estreia que ainda não tem data!
Mas existe uma personagem que não precisa pedir autorização para entrar nessa novela: Emília Corrêa, primeira mulher eleita prefeita de Aracaju, com 165.924 votos em 2024. Emília já demonstrou força nas urnas e sua administração apresenta iniciativas importantes, embora ainda tenha desafios a enfrentar. Enquanto adversários discutem quem será candidato, ela governa, enfrenta problemas e constrói sua trajetória administrativa. A vantagem é evidente: Emília conhece a cidade e já conquistou a confiança da maioria dos eleitores numa eleição municipal. Katarina pode exibir uma votação estadual expressiva, mas Emília tem um detalhe no currículo que nenhuma especulação substitui: já ganhou a Prefeitura de Aracaju! Uma coisa é fazer sucesso no interior, outra é conquistar a plateia da capital. Afinal, eleição municipal não é excursão turística com parada nos 75 municípios!
A disputa revela uma transformação importante: as mulheres deixaram de disputar apenas espaço nas fotografias e passaram a disputar o comando da política. Katarina apresenta, neste momento, credenciais eleitorais mais consistentes que Érica para uma eventual candidatura governista. Érica tem visibilidade e pode construir um projeto próprio, mas ainda precisa provar sua força nas urnas. Emília, por sua vez, reúne a vantagem do mandato e a possibilidade de disputar a reeleição. Fábio Mitidieri poderá escolher sua candidata, mas não poderá escolher o resultado. E aqui está a ironia: enquanto o governo discute se lança Katarina ou Érica, Emília já está sentada na cadeira, trabalhando e olhando o movimento pela janela. Porque prefeitura não é salão de beleza onde basta pegar uma senha e esperar atendimento. Quem quiser ocupar o gabinete terá primeiro de convencer o eleitor a trocar de prefeita!




