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Editorial: O PL em Sergipe: quando o jogo vira dentro de casa

O Partido Liberal em Sergipe virou palco de uma disputa digna de novela política. Até ontem, o comando estadual estava nas mãos de Edivan Amorim, figura respeitada, bem relacionada com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL. Hoje, porém, quem manda é Rodrigo Valadares, que conseguiu, com habilidade e pressa, puxar o tapete dos antigos caciques e colocar sua esposa, Moana Valadares, na presidência estadual do partido. Foi um movimento calculado, que abriu uma crise profunda dentro da oposição sergipana.

O mais atingido, sem dúvida, é Valmir de Francisquinho. Prefeito de Itabaiana, liderança consolidada, político sereno, mas de faro afiado, Valmir não é um novato nesse jogo. Ele viu a manobra se desenhar desde setembro do ano passado, mas preferiu não confrontar, por respeito a Edivan Amorim e pela esperança de que o processo seria conduzido com diálogo. Enganou-se. O PL lhe foi tomado e agora resta a ele decidir: ficar num partido que sempre considerou sua casa, ou migrar para outro abrigo político.

A questão não é apenas institucional. Para Valmir, o PL é simbólico. O número 22 está gravado em sua trajetória, é marca registrada no eleitorado, quase um talismã, não à toa, ele é conhecido como “o Pato”, numa referência direta ao número do partido 22 “dois patinhos na lagoa”. Abandonar o partido significaria mais do que trocar de legenda: seria abrir mão de uma identidade que mobiliza sua base. Por isso, Valmir não fecha nenhuma porta, mas deixa claro: prefere ficar, desde que respeitado.

Do outro lado, Rodrigo Valadares mostra que não está para brincadeira. Deputado federal, jovem, ambicioso, ele quer consolidar um PL sob sua órbita. A escolha de Moana para a presidência estadual não foi mero detalhe burocrático, mas um recado: o partido tem novo comando, nova agenda, e não há mais espaço para acomodar todas as lideranças tradicionais. É um movimento arriscado, porque pode dividir o eleitorado e criar feridas difíceis de cicatrizar. Mas também é ousado, e ousadia às vezes rende frutos no xadrez político.

Nesse tabuleiro, não podemos esquecer Emília Corrêa, prefeita de Aracaju, que observa tudo de perto. Emília é um nome forte, mas ainda parece indecisa sobre qual caminho seguir. Já Eduardo Amorim e Edivan Amorim, figuras históricas, foram deixados de lado no processo e amargam o gosto de terem perdido espaço sem direito a reação. Estão feridos, mas não fora do jogo.

O que se vê agora é uma oposição em polvorosa, sem rumo definido. Se Valmir decidir sair do PL, leva consigo parte expressiva da base eleitoral, enfraquecendo o partido sob Rodrigo. Se ficar, terá de negociar espaço em um terreno já ocupado. Enquanto isso, os adversários políticos assistem à cena com sorriso discreto: quanto mais fragmentada a oposição, melhor para quem está no poder.

No fundo, esse episódio revela algo maior: o PL em Sergipe não discute apenas cargos, mas hegemonia. Quem comanda o partido hoje define quem terá fôlego em 2026. Rodrigo aposta no futuro, Valmir luta pelo presente, e Emília observa o tabuleiro. É a velha política de sempre, mas com novos protagonistas, novos embates e velhas rivalidades que nunca deixam de reaparecer.

O desfecho ainda está em aberto. Pode haver composição, pode haver rompimento. Mas uma coisa já está clara: o PL sergipano nunca mais será o mesmo depois dessa disputa. E, como em toda boa trama política, o eleitor será chamado para decidir de que lado da lagoa os dois patinhos vão nadar.

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