A política brasileira não perde a capacidade de surpreender. Desta vez, quem agitou Brasília e o próprio PL foi Eduardo Bolsonaro, ao declarar que, se não for candidato à Presidência pela legenda, caso o pai, Jair Bolsonaro, não possa, muda de partido. Foi um recado forte, mas sua candidatura ainda parece mais desejo pessoal do que realidade: ele corre risco de cassação, de inelegibilidade e não consolidou uma base eleitoral sólida.

Nos bastidores, fala-se que, se Eduardo não vingar, o nome natural seria Tarcísio de Freitas. Mas há um entrave: Tarcísio já garantiu que não deixa o Republicanos. Ou seja, sua filiação ao PL é descartada, tornando a ameaça de Eduardo ainda mais delicada para a legenda.

No jogo nacional, a dúvida persiste: e se os Bolsonaros saírem do PL? Eduardo parece pensar sozinho, mais movido pela ambição pessoal do que pela lógica do grupo político construído pelo pai. Enquanto ele ensaia a ruptura, o bolsonarismo segue sem unidade clara. Nesse vácuo, Tarcísio aparece como alternativa de centro-direita mais moderada, capaz até de pacificar o país rachado. Mas essa transição teria custo alto: fragmentaria ainda mais a direita e abriria espaço para Lula manter a polarização em seu favor.

Voltando para Sergipe, a pergunta é inevitável: como ficará o PL? Hoje sob comando de Moana Valadares, esposa do deputado federal Rodrigo Valadares, o partido ainda traz no histórico nomes como Valmir de Francisquinho, seus filhos Ícaro e Talysson, além de Edivan Amorim, Emília Corrêa e Lúcio Flávio. Mas o dilema é claro: o PL sergipano está em processo de reorganização ou perto de desaparecer do mapa político local?

Nesse cenário, Rodrigo Valadares precisará de serenidade e habilidade para segurar o grupo dentro do partido. As lideranças locais carregam peso político, mas também ego e projetos próprios. Ninguém sabe ao certo o que foi discutido na reunião que juntou Valmir, Edivan, Emília, Ícaro, Talysson, Adailton e outros caciques. O fato é que a situação deixa mais perguntas do que respostas: o PL vai se reerguer como força política ou seguirá se desgastando entre disputas internas e indefinições nacionais?
É justo reconhecer: Rodrigo Valadares fez um movimento ousado ao assumir o PL em Sergipe. Enfrentou caciques históricos, deu novo ritmo à legenda e conquistou uma vitória pessoal relevante. Mas a dúvida permanece: se o PL nacional se fragmentar, Rodrigo conseguirá manter a sigla unida? Essa incerteza aumenta a sensação de desorganização da oposição sergipana.

Do outro lado, o governador Fábio Mitidieri nada de braçada. Com uma gestão elogiada até por adversários, ele se consolida como articulador político e gestor eficiente. Enquanto a direita se perde em brigas internas, Fábio ocupa o espaço, atrai apoios e se coloca como favorito natural para 2026.

No meio desse impasse está Valmir de Francisquinho, ainda visto como referência da direita no agreste. Se a oposição quiser ter alguma chance real contra Mitidieri, precisará se reagrupar em torno de lideranças como Valmir, apesar das barreiras jurídicas que ele enfrenta. Dividida, continuará entregando o jogo de bandeja ao governo.

Outro ponto sensível é a atuação de Edivan Amorim. Sua influência, antes decisiva, foi se diluindo com o tempo e pelo afastamento em relação ao novo comando. O PL não pode viver de nostalgia, nem de caciques que perderam sintonia com a realidade. Precisa de renovação e de projeto coletivo, e não de personalismos que travam o partido.
Em resumo: o PL em Sergipe está numa encruzilhada. O futuro da legenda depende da capacidade de Rodrigo Valadares conduzir o barco com serenidade e firmeza, unindo Valmir, novas lideranças e uma base que dê fôlego político. Se conseguir, o partido pode voltar a ser protagonista. Se não, seguirá se esvaziando, deixando o campo livre para Mitidieri, que segue firme, articulado e praticamente sem oposição à altura.




