Convenhamos. A política sergipana sempre gostou de um bom espetáculo. Houve um tempo em que a tribuna da Assembleia Legislativa parecia um ringue de boxe institucional. Discursos cortantes, apartes venenosos e plateia atenta. Era o tempo de figuras como Venâncio Fonseca e Chiquinho Gualberto, que transformavam sessão legislativa em duelo retórico. Hoje, porém, algo curioso aconteceu: a Assembleia baixou o volume. Não morreu. Mas parece ter apertado o botão do modo silencioso.
Enquanto isso, quem resolveu acordar foi a Câmara Municipal de Aracaju. Ali o clima é outro. Debate, confronto, ironia, disputa de narrativa. De um lado Moana Valadares, de outro Elber Batalha. No meio da arena surge Anderson de Tuca e Isac fazendo o papel do sujeito que entra no debate para aumentar a temperatura. E no centro do tabuleiro está Ricardo Vasconcelos, tentando conduzir o plenário como um maestro tentando reger uma banda de rock político. Resultado: quem gosta de política de verdade passou a assistir mais à Câmara do que à Assembleia.
Agora preste atenção. A Assembleia não deixou de ser importante. O presidente Jefferson Andrade tenta aproximar o parlamento da população com sessões itinerantes. É meritório. É institucional. É correto. Mas política não vive só de agenda administrativa. Política precisa de confronto. Sem debate, a tribuna vira um auditório de seminário acadêmico. Funciona, mas ninguém lembra depois.
E é justamente nesse vazio que a Câmara virou uma espécie de laboratório eleitoral. Pelo menos oito vereadores já estão com o radar apontado para voos maiores. Porque a lógica da política é simples: quem aguenta o calor de um plenário municipal aguenta qualquer campanha estadual. Ou quase qualquer uma.
Comecemos por Lúcio Flávio. Bolsonarista declarado, sem meias palavras. Num ambiente político onde muitos falam em código Morse ideológico, Lúcio prefere falar em português claro. O eleitor gosta disso. Os adversários nem tanto. Mas em política clareza é um ativo raro.
Já Pastor Diego segue um caminho diferente. Discurso sereno, postura equilibrada e forte base religiosa. É a política da construção silenciosa. Enquanto alguns fazem barulho, ele organiza base. E às vezes base eleitoral vale mais que discurso inflamado.
Do outro lado da arena aparece Elber Batalha. Elber é um fenômeno curioso da política sergipana. Ele não entra numa eleição apenas para disputar. Ele entra para debater. Tribuna é o habitat natural dele. Alguns dizem que ele só fortalece legenda. Outros dizem que ele mantém viva a chama da oposição. A verdade? Ele mantém viva a tradição do debate. E isso, hoje em dia, já é quase uma relíquia.
Entre os veteranos está Nitinho Vitale. Militante desde os tempos da Ala Jovem do antigo PFL. Já chegou à Câmara Federal como suplente. É aliado do governador Fábio Mitidieri. Agora enfrenta um desafio clássico da política brasileira: manter relevância num cenário cada vez mais competitivo. Em outras palavras, precisa mostrar que ainda tem gasolina no tanque.
Na ala da nova geração aparece Breno Garibalde. Jovem, articulado e carregando um sobrenome tradicional. Política brasileira adora herdeiros políticos. Às vezes funciona. Às vezes vira apenas tradição sem musculatura eleitoral. Breno tenta provar que é mais do que um sobrenome.
Já Moana Valadares chega com peso político e sobrenome conhecido. Esposa do deputado Rodrigo Valadares, carrega apoio robusto no campo conservador. Nos bastidores se fala em votação alta. Sessenta, setenta, oitenta mil votos. Política é expectativa. Urna é realidade. Vamos ver qual das duas vence.
Agora chegamos ao capítulo mais novelesco dessa história: Tanata Santos. A trajetória dela começa dentro do grupo político do deputado Capitão Samuel. Foi ele quem a apresentou ao eleitorado. Depois veio a briga. E política brasileira adora uma boa briga familiar. Samuel disse que não se meteria em “briga de família”. Tanata disse que página virada é página esquecida. Tradução política: cada um seguiu seu caminho. Agora muita gente acredita que sua candidatura pode funcionar mais como peça de composição eleitoral. Aquelas candidaturas que ajudam a fechar chapa e empurrar o quociente eleitoral.
Por fim, voltamos a Ricardo Vasconcelos. Presidente da Câmara, quase doze mil votos e presença crescente no tabuleiro estadual. Hoje aparece como primeiro suplente na chapa ao Senado liderada por André Moura. E aqui entra um detalhe fundamental: Aracaju representa quase quarenta por cento do eleitorado de Sergipe. Quem controla a capital tem uma peça importante no xadrez estadual.
E aqui chegamos ao ponto central. A Câmara virou um palco político vibrante. A Assembleia, por enquanto, parece assistir da plateia. Curioso, não? Porque na política brasileira existe uma regra silenciosa. Quando o parlamento perde o barulho… a política perde a alma.




