Em 5 de setembro, o Portal Fausto Leite publicou a matéria “A CDL virou instituto de pesquisa: lojista precisa de apoio ou de palanque?” e fez as perguntas que ninguém queria ouvir. Dois dias depois, a Justiça Eleitoral suspendeu a divulgação do levantamento. Não foi profecia: bastou olhar para uma entidade de lojistas querendo vender pesquisa eleitoral com embalagem científica e desconfiar da mercadoria.
Na imprensa sergipana, o jornalista Narcizo Machado resumiu que a pesquisa “caiu totalmente no descrédito”. Outros comentários nas redes questionaram como uma consulta aberta pela internet, alimentada pela participação espontânea, poderia anunciar margem de erro de apenas um ponto percentual. CPF, WhatsApp e geolocalização confirmam a existência do participante; não transformam militância mobilizada em amostra representativa. Pesquisa não vira ciência só porque o formulário reconhece o CEP.
A crítica a Elison Bomfim é inevitável: quem preside uma entidade empresarial precisa explicar quem aprovou a aventura, quanto ela custou, quem desenvolveu a plataforma, quem fiscalizou os dados e qual benefício concreto chegou aos associados. A CDL existe para defender lojistas, enfrentar burocracia e fortalecer o comércio, não para instalar uma urna virtual na antessala do poder. O registro no PesqEle autorizava a divulgação, mas nunca funcionou como selo de qualidade, neutralidade ou infalibilidade estatística.
A liminar fixou multa diária de R$ 5 mil, limitada inicialmente a R$ 50 mil, caso a ordem seja descumprida. Em princípio, quem paga é a CDL Aracaju, porque a pessoa jurídica é a destinatária da determinação; Elison não responde pessoalmente de forma automática. Mas fica a pergunta que merece resposta pública: se houver multa, o dinheiro sairá do patrimônio pessoal de quem comandou a iniciativa ou do caixa sustentado pelos lojistas? Porque é muito confortável brincar de instituto eleitoral quando a experiência é do presidente e o boleto pode terminar no balcão do associado.




