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A conta não fecha e nunca foi feita para fechar

O IBGE divulgou que o desemprego no Brasil caiu para 5,6%, a menor taxa da série histórica. Palmas, fogos, manchetes otimistas. Só tem um detalhe: ninguém está sentindo isso na pele. No comércio, a movimentação está fraca. Na indústria, a produção patina. E no mercado de trabalho, o que mais se encontra são vagas precárias, subempregos e uma multidão sobrevivendo de auxílios governamentais.

A pergunta é inevitável: seria essa a maquiagem política da realidade? Enquanto o governo comemora o “pleno emprego”, o mesmo país registra mais de 94 milhões de pessoas em programas sociais, quase metade da população brasileira. Sete em cada dez adultos em idade ativa recebem algum benefício estatal. Então, como conciliar a “menor taxa de desemprego da história” com o maior número de dependentes da história?

Não se concilia. Se manipula. As estatísticas oficiais só contam como “desempregado” quem procura trabalho e não encontra. Mas e quem desistiu? E quem vive de bicos, de auxílios, de promessas políticas que rendem o suficiente para não precisar acordar às seis da manhã? Esses desaparecem da conta. É assim que o governo cria o milagre: a miséria estatística do desemprego baixa, mas a miséria real continua intacta.

O Estado brasileiro aperfeiçoou um modelo de dependência. O que nasceu como política de emergência virou moeda eleitoral. Em vez de fortalecer o cidadão, capacitar e gerar autonomia, cria-se uma legião de dependentes gratos — e controláveis. Não é inclusão social, é prisão política com crachá de beneficiário.

Não se trata de negar a importância dos programas sociais, eles são necessários. O problema é transformá-los em estratégia de poder. Quando quase metade do país precisa deles, isso não é sinal de sensibilidade social, é sinal de falência econômica.

Enquanto isso, o discurso oficial vende prosperidade, o PIB sobe timidamente e a classe média encolhe. O empreendedor é esmagado por impostos, o trabalhador produtivo vê o esforço render menos que o assistencialismo, e a meritocracia vira palavrão.

No fim, o Brasil vira um país que trabalha pouco, produz menos e consome ilusões.

A conta não fecha porque nunca foi feita para fechar. É uma conta política, um truque de planilha que transforma a crise em narrativa e a dependência em conquista.

E é aí que entra a nossa responsabilidade. O brasileiro precisa parar de acreditar em gráfico colorido e começar a olhar para o lado. Não é preciso ser economista para ver que o país está emperrado: basta abrir a carteira, o comércio ou o aplicativo de emprego.

Enquanto as estatísticas mentem, a realidade grita. E se a sociedade não acordar, continuará aplaudindo o espetáculo de um governo que confunde cidadania com cabresto. O Brasil não precisa de maquiagem. Precisa de verdade, trabalho e dignidade. Porque, no fim das contas: a conta não fecha. E o problema é que foi feita para enganar.


O texto expressa a visão pessoal do autor, não necessariamente a posição editorial do Portal Fausto Leite.

Autor:

Marcos Pinheiro


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