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A janela abriu, Sergipe pulou e agora ninguém sabe quem entra pela porta da frente

A janela partidária abriu, fez barulho, virou espetáculo e agora fechou. Só que, ao contrário do que muita gente pensa, o jogo não fechou junto. Pelo contrário, foi agora que ele começou de verdade. Os partidos se organizaram, as filiações foram feitas, os anúncios saíram, mas o cenário segue completamente aberto. Até o dia 5 de agosto, data final das convenções, tudo pode mudar. E quando se fala em política sergipana, “tudo” não é figura de linguagem, é realidade prática mesmo.

Valmir de Francisquinho e Emília Corrêa deixaram isso muito claro. Não há nada definitivo, não há grupo fechado, não há desenho final. Existe construção. E mais do que isso, existe espera estratégica. Pode vir PL, pode vir a federação União Brasil com o PP, pode vir rearranjo completo. Valmir, com a experiência de quem conhece o jogo, joga com calma e inteligência. Não força movimento, observa. E nesse momento, observar vale mais do que correr.

E aí entra uma figura que o próprio povo já abraçou como símbolo, o “Pato”. E o Pato, ao contrário do que muita gente pensa, é um animal estratégico. Ele não se desespera, ele flutua. Parece tranquilo por cima, mas por baixo está trabalhando, remando firme, ajustando direção sem fazer alarde. O pato sabe esperar, sabe a hora de avançar, sabe a hora de ficar quieto. Não entra em qualquer lago, não se joga em qualquer correnteza. E, no fim das contas, quem ri do Pato muitas vezes esquece que ele atravessa o rio inteiro sem afundar. E na política, meu amigo, quem atravessa com serenidade quase sempre chega primeiro.

Enquanto isso, do outro lado, o grupo governista tenta se organizar, mas transmite uma sensação de desencaixe. Fábio Mitidieri, que há poucos meses falava de uma oposição desorganizada, hoje vê o próprio grupo com dificuldades de alinhamento. Há desgaste, há ruído, há dúvidas, há a Iguá, há greves em diversos setores. E isso não passa despercebido. A base ainda não conseguiu mostrar unidade, e quando falta unidade, sobra insegurança.

André Moura, por sua vez, vive um momento curioso. Inteligente, experiente, sabe exatamente o jogo que está sendo jogado. Mas também sente o ambiente. Há um certo desconforto, uma leitura de que ainda não houve a consolidação que se esperava. E nesse cenário, ele observa, calcula e não se entrega fácil. Diferente de outros, André não se movimenta por impulso, se movimenta por leitura, lendo inclusive o Pato deslizar na lagoa de Aracaju, local que pode lhe colocar no senado.

No meio desse tabuleiro, algumas decisões foram bem pragmáticas. Luciano Pimentel foi para o PL não por afinidade ideológica, mas por viabilidade eleitoral. Fernandinho Franco fez o mesmo movimento, chegou no partido sem relação orgânica com Rodrigo Valadares, mas com um objetivo claro, se eleger. Luizão de Dona Trampi também seguiu esse caminho. É a política sem maquiagem, cada um buscando onde a eleição é mais possível. E, nesse ponto, o PL virou destino de conveniência.

E aí entra Laércio Oliveira, figura central nesse quebra-cabeça. Aliado formal do governador Fábio Mitidieri, ocupa espaços importantes dentro da estrutura do Estado, com influência real e cargos relevantes. Mas, na prática, seu comportamento político caminha em sentido contrário ao que se espera de um aliado. Dá sinais para um lado, acena para outro, apoia Rodrigo Valadares, flerta com o bolsonarismo e evita um posicionamento firme dentro do próprio grupo governista. E isso gera um ruído inevitável. Porque uma coisa é dizer que está junto, outra completamente diferente é trabalhar efetivamente para a eleição. Hoje, ninguém sabe ao certo para onde Laércio está indo. E em política, quando a direção não é clara, o custo vem na forma de desconfiança. 

Rogério Carvalho entrou no jogo impondo condição, dizendo que só apoiaria André Moura se houvesse alinhamento com Lula, o que mais pareceu marcação de território do que construção de ponte. Enquanto isso, o entorno do governador Fábio Mitidieri começa a mostrar sinais de fragilidade. O que antes parecia um bloco forte, quase um “time fechado”, hoje revela fissuras. Edvaldo Nogueira já fala em candidatura independente ao Senado, movimento típico de quem ainda está perto, mas já não está dentro. 

E o cenário se completa com Alessandro Vieira, que ao sair do grupo já deixou aviso de que haveria consequência, e hoje circula com liberdade, atento às oportunidades. No fim, o governo até tem nomes, mas carece de alinhamento verdadeiro. Cada liderança segue sua própria estratégia, olhando mais para o próprio projeto do que para o coletivo. E isso deixa no ar uma dúvida inevitável, quem ainda está no time de verdade e quem já começou a jogar sozinho.

A saída de Fábio Henrique do União Brasil para o MDB foi sentida como traição no grupo de André Moura, e com razão. Não foi apenas uma mudança de partido, foi um rompimento de confiança em um momento sensível do jogo. Fábio escolheu o caminho mais conveniente, abandonando um grupo que ajudou a construir para buscar abrigo onde a sobrevivência eleitoral parecia mais garantida. E embora isso seja comum na política, no caso dele pesa o histórico. Não é a primeira vez que faz esse tipo de movimento, sempre ajustando a rota conforme a chance de vitória. Isso revela menos estratégia e mais oportunismo. No fim, a mensagem que fica é clara, para Fábio Henrique, grupo é importante até deixar de ser útil.

O fato é que ninguém tem grupo fechado. Nem governo, nem oposição. Há conversa, há negociação, há disputa interna, há vaidade, há estratégia. Abril está só começando. Maio, junho e julho ainda vêm pela frente. E até agosto, muita coisa ainda vai acontecer. Quem hoje parece dentro pode sair. Quem hoje parece fora pode entrar. E no meio disso tudo, uma coisa começa a ficar clara. Se a direita chegar unida ao segundo turno contra o governo, o cenário muda completamente. Se não chegar, disputa entre si. E é exatamente esse o jogo que está sendo construído agora, em silêncio, em bastidor, longe do discurso público.

No fim das contas, essa janela não foi o fim de nada. Foi o primeiro ato. Uma espécie de aquecimento. O que vem agora é o jogo de verdade. E Sergipe, que já viu muita eleição previsível, começa a sentir algo diferente. Não há roteiro fechado. Há disputa real. E quando há disputa real, meu amigo, ninguém entra em campo tranquilo. A política sergipana entrou naquele ponto em que todo mundo fala pouco e pensa muito. E quem pensa melhor agora, chega mais forte lá na frente. Porque até agosto, ainda tem muita água para correr. E quem achar que já está resolvido, pode estar apenas começando a perder.

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