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A Medicina brasileira entre a prova e o privilégio

O Brasil discute agora a criação de uma prova nacional obrigatória para médicos, um “OAB da Medicina”, exigida para obter o CRM. A razão é simples e preocupante: estamos formando profissionais sem preparo suficiente. A prova chega como tentativa de proteger a qualidade da saúde no país.

E, no mesmo momento em que se tenta elevar o nível da Medicina, explode outra notícia: a Universidade Federal de Pernambuco abriu um curso exclusivo para beneficiários da reforma agrária, MST, quilombolas e assentados. São 80 vagas públicas, sem ENEM, sem SISU e sem competir com os milhões de jovens que passam anos estudando para tentar medicina.

O discurso oficial fala em justiça social. Mas justiça social não pode excluir a imensa maioria dos brasileiros pobres que não se encaixam nesse recorte. E não pode tratar a profissão mais sensível do país como se houvesse duas portas: uma cheia de exigências e outra completamente aberta para um grupo específico.

Se o Brasil quer médicos melhores, precisa elevar o padrão para todos. Criar exceções não resolve desigualdade. Apenas cria outra. E jogar critérios diferentes no curso mais concorrido do país é, no mínimo, um tapa no mérito e um choque na confiança pública. A saúde exige qualidade. A democracia exige igualdade. E o Brasil não aguenta mais experimentos que tratam brasileiros de forma tão desigual.

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