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A nova era do futebol sergipano começa com R$ 24 milhões 

Sergipe acordou com ares de modernidade no futebol. Pela primeira vez, o Confiança está prestes a se transformar em SAF (Sociedade Anônima do Futebol). Uma ideia nova, um investimento inédito no nosso Estado, e, gostemos ou não, um divisor de águas para o futebol sergipano.

Mas sejamos francos: R$ 24 milhões não é muito dinheiro no mundo da bola. É quase um refresco quando comparado aos R$ 1 bilhão prometidos ao Santa Cruz, clube que hoje amarga a Série D, mas atraiu investidores de peso com uma cifra respeitável. O torcedor proletário, ao olhar esse número, tem todo o direito de se perguntar: “Só isso?”

O plano liderado por Rodolfo Landim, ex-presidente do Flamengo e hoje rosto de um fundo que promete até R$ 500 milhões em 10 anos, não deve ser tratado como esmola. É, sim, um pontapé inicial que pode recolocar o Confiança na Série B e, com organização e ousadia, até sonhar com a Série A. Para Sergipe, é um marco histórico. Nunca antes se falou em um projeto desse porte por aqui.

Mas, ao mesmo tempo, é preciso ter olhos abertos. Futebol não se faz só de promessas bem embaladas. SAF não é milagre: é contrato, é governança, é resultado em campo. E, principalmente, é política. Tanto que a disputa pelo comando do clube já virou palco de brigas homéricas. A confusão na comissão eleitoral para definir a presidência do Confiança mostra que, mesmo com dinheiro novo, as velhas práticas continuam tentando dar as cartas.

A pergunta que fica é: quem vai mandar de fato no Confiança, os novos investidores ou os velhos caciques? Se a resposta não for clara, os R$ 24 milhões correm o risco de virar poeira antes mesmo da bola rolar.

O torcedor merece sonhar, mas também merece transparência. Sergipe está diante de uma nova era no futebol, e ela pode trazer muito mais do que títulos: pode redefinir a forma como um clube é administrado neste estado. Só não podemos esquecer que toda nova era começa com escolhas. E as escolhas feitas agora vão ecoar por décadas.

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