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A sabatina da auto-apresentação

A tal “sabatina” da OAB/SE, com toda sinceridade, não foi uma sabatina coisa nenhuma. Foi uma grande autoapresentação com perguntas previamente embaladas a vácuo, ensaiadas, sorteadas e distribuídas com a mesma emoção de um bingo de igreja. Nada ali lembrava o rigor de uma sabatina de verdade; parecia mais um TED Talk jurídico com plateia reduzida e hora marcada. Cada candidato tinha direito a oito convidados, e ainda assim o auditório parecia um domingo à tarde no DETRAN: amplo, silencioso e com cadeiras sobrando. Eu estive lá. Esperei movimento. Não veio. O que vi foi uma sucessão de apresentações, algumas excelentes, outras protocolares, mas todas obedecendo ao mesmo roteiro cuidadosamente plastificado.

Apesar da mornidão do ambiente, entre os dezoito que se apresentaram, cinco realmente se destacaram. A professora América Nejaim, impecável e precisa, abriu caminho. Márcio Conrado falou com a tranquilidade de quem domina o assunto e não precisa provar nada a ninguém. Durval apresentou firmeza e serenidade, enquanto Carlos Magalhães foi objetivo, sintético e mostrou personalidade. Carla Carol foi segura e envolvente, e Alexander demonstrou domínio dos temas que abordou. Robson Millet surpreendeu pela clareza e fluidez, e Cícero Dantas pela precisão técnica. O restante se manteve no território do “ok, próximo”, apresentações básicas, corretas, mas sem grandes momentos.

Na primeira rodada de perguntas, as tão famosas perguntas sorteadas, houve um pouco mais de vida. Aqui, registro a resposta de Matheus Chagas sobre cotas de gênero nos tribunais. Ele trouxe tecnicismo, citou o CNJ e manteve firmeza, mostrando domínio do assunto. Foi, sem dúvida, uma das respostas mais sólidas da noite. Outros candidatos também se saíram bem, mas Matheus entregou consistência, e isso sempre merece nota.

O maior equívoco da presidência da OAB foi ter chamado esse evento de sabatina. Não era. Nunca foi. Foi autoapresentação e, se tivessem dito isso desde o começo, todos teriam chegado mais tranquilos, inclusive eu. Ainda assim, é preciso reconhecer o mérito do presidente Daniel Alves, que, mesmo sob críticas iniciais, manteve postura firme, serena e aberta ao diálogo, conduzindo a iniciativa com coragem institucional e disposição para inovar num momento delicado. Reconheço: entrei com um olhar crítico, mas saí com uma percepção diferente. A iniciativa foi positiva, mesmo tendo sido anunciada em cima da hora. Foi útil, foi válida e permitiu aos advogados enxergar quem realmente está preparado para o Quinto Constitucional e quem ainda precisa de ajustes.

Agora, entramos nas últimas 24 horas antes da eleição. É o momento em que cada gesto tem peso, cada palavra tem impacto e cada conversa muda alguma coisa. Que vença quem se mostrou mais preparado, na postura, no conteúdo, na maturidade e no compromisso com a advocacia. Que os advogados votem com consciência e que os candidatos sigam serenos. No fim das contas, o que vimos na chamada sabatina não foi a grande disputa. Foi apenas o aquecimento.

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